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Experiente operador político, coordenador de várias campanhas no Paraná e atento observador dos humores do eleitorado fez um vaticínio que a coluna simplesmente registra: são grandes as chances de, em 2018, formar-se uma chapa unindo os dois irmãos, Alvaro e Osmar Dias – o primeiro como candidato à Presidência da República; o segundo, ao governo estadual.

Segundo ele, no deserto político em que o país e o estado se transformaram, sem que tivesse surgido nenhuma liderança nova com apelo eleitoral desde a derrocada de quase todos os grupos que dominaram a cena nos últimos 30 anos, os dois irmãos figuram entre os raros que ainda preservam prestígio.

O senador Alvaro Dias, que deixou o poderoso PSDB para ingressar no pequeno Partido Verde (PV), constrói-se como uma terceira via não mais comprometida com quaisquer dos segmentos dominantes. Distanciou-se do tucanato por discordar da frouxidão e oportunismo com que o partido fazia oposição ao lulopetismo; ao mesmo tempo, evitou se aproximar do PMDB por discordar dos seus métodos de fazer política – tipicamente de um “balcão de negócios”.

Na avaliação do analista, Alvaro poderá figurar em 2018 como candidato viável. Hoje ele é o único paranaense que ostenta notoriedade nacional conquistada graças à sua atuação como senador e líder oposicionista durante anos, distante das velhas e desgastadas raposas e longe também de cometas de ocasião – caso, por exemplo, de Marina Silva (Rede), cujas expressivas votações só podem ser explicadas pela rejeição popular aos políticos com os quais concorreu à Presidência.

Já seu irmão, o ex-senador Osmar Dias, deve reaparecer na cena política paranaense esta semana. Há um mês deixou o cargo de diretor do Banco do Brasil e agora volta ao Paraná – após pequenas férias na Europa – para retomar em tempo integral as funções de presidente estadual do PDT, de olho desde já, claro, na disputa ao governo do estado em 2018.

A animação é grande de sua parte. Em 2006, faltaram-lhe apenas 10 mil votos para derrotar Roberto Requião, então candidato à reeleição. Em 2010, voltou à disputa tendo Beto Richa como seu principal adversário, que venceu já no primeiro turno. Osmar ficou fora na eleição de 2014, mas desde então passou a assistir de longe a bancarrota pessoal de Beto e do seu grupo. E viu também que nenhum outro nome surgiu no horizonte. Teria chegado sua vez?

Vem daí a possibilidade de se formar a chapa Dias & Dias – embora os dois irmãos, em eleições passadas, não mantivessem na política a mesma fraternidade sanguínea que os une desde o berço. Até pelo contrário, ficaram conhecidos por suas veladas e mal disfarçadas desavenças.

Se o analista que conversou com a coluna estiver certo em suas previsões, Osmar deve começar a agir politicamente na eleição para prefeito de Curitiba participando das últimas negociações para fechar a coalizão em torno de Gustavo Fruet, do seu partido. Tem apenas cerca de dez dias para cumprir a tarefa, já que o prazo para as convenções partidárias termina em 5 de agosto próximo. Há também municípios grandes do interior que ainda requerem sua atenção dentro deste mesmo curto prazo.

Embora chegando de última hora, não seria desprezível a força de Osmar para influir nas articulações finais em Curitiba e em outros municípios. Por uma razão que o analista anota: a expectativa de poder político que o ex-senador passa a representar exerce fascínio sobre os que vislumbram a possibilidade de servir-se dos nacos que, em caso de vitória, serão distribuídos. É explicável: o sentimento que prevalece entre os que vivem de catar oportunidades é sempre igual – melhor do que atual governo, só o próximo.

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