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Celso Nascimento

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Ricardo Barros fixa as regras do jogo e monta “arca de Noé” em apoio a Cida

 
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O estilo trator do ministro Ricardo Barros (PP) agitou os mares da política paranaense nos primeiros dias do ano. As águas pareciam plácidas quando, de repente, Barros escalou os times e estabeleceu as regras para o jogo das eleições.

O ministro deu data até abril para o governador Beto Richa (PSDB) renunciar ao cargo, desatravancar o meio do campo e passar a faixa de capitão do time à vice-governadora Cida Borghetti (PP), sua mulher, que, como centroavante aboletada no 3.º andar do Palácio Iguaçu, estará pronta para disputar a reeleição.

Barros escalou Richa como candidato a senador na chapa de Cida. Não lhe deu alternativas: assim como o PP, seu partido, o apoiou na derrota (em 2002) e nas vitórias de 2004 e 2008 para a prefeitura de Curitiba, e nas de 2010 e 2014 para o governo estadual, Beto não faria mais do que sua obrigação de colocar o PSDB na coligação e, pessoalmente, também apoiar Cida.

Para não parecer um jogador passivo, Richa revidou dizendo-se mais propenso a não se candidatar a governador e permanecer no Palácio até o fim do mandato para colher todas as glórias de sua administração.

Nem isto adiantou. Com a mesma frieza de um jogador de pôquer, Ricardo Barros respondeu que não há mais volta e que, ficando ou não no governo, sua mulher será candidata e o destino de Beto Richa não oferece alternativas se não a de se integrar à torcida para que ela chegue, pelo menos, a disputar o 2.º turno.

Simultaneamente, o ministro avançou sobre o que parece ser o principal oponente de Cida, o ex-secretário e deputado estadual Ratinho Jr. (PSD), que até então parecia dono de dois partidos, o PSD e o PSC, que, somados, formam a maior bancada da Assembleia. Mais do que isto, era também de propriedade de Ratinho Jr. uma boa penca de prefeitos municipais cujas simpatias cultivou ao longo dos três anos em que distribuiu recursos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedu).

Barros começou a tarefa de desidratar Ratinho Jr. comendo-lhe uma parte da estrutura partidária. Já praticamente tirou-lhe o comando do PSC, graças ao poder de convencimento que exerceu sobre o deputado federal Hidekazu Takayama, presidente estadual do PSC e líder da bancada evangélica na Câmara Federal. Pelas mãos de Takayama, o PSC estaria pronto para embarcar na aliança de Cida Borghetti.

Os prefeitos e vereadores do interior que ainda sustentam a capilaridade da candidatura de Ratinho no restante do estado são um problema a ser resolvido sem muita pressa. Como não tem dúvida de que Beto Richa sai e Cida assume o governo, conquistá-los não será tarefa impossível para quem estará com a caneta na mão e um marido operador e pragmático ao lado.

Os movimentos rápidos e trepidantes do ministro da Saúde foram logo sentidos no arraial de Ratinho Jr., que teve de lidar com os boatos de que estaria disposto a renunciar de suas ambições de disputar o governo. Rumores insistentes durante os últimos dias deste início de ano falam na possibilidade de ele não resistir à atração fatal de, em vez de se candidatar ao governo, integrar a chapa de Cida como candidato a senador ao lado de Beto Richa.

• • •

O candidato da oposição, Osmar Dias (PDT), também não ficou de fora da espingarda de longo alcance de Ricardo Barros. Como as tentativas de aproximação que fez no ano passado foram refugadas, o ministro passou ao trabalho de conquista de legendas que potencialmente estariam dispostas a aderir a uma aliança com o PDT do ex-senador. O PTB e o DEM foram as duas siglas maiores e mais cortejadas e que já estariam figurando como passageiras na colossal “arca de Noé” partidária que Barros planeja dar a Cida.

Na sexta-feira (12), após o fechamento desta edição, Osmar Dias tinha encontro marcado com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Esperava-se desta reunião a decisão sobre a exigência de Osmar de não se obrigar a dar palanque para a candidatura pedetista de Ciro Gomes à presidência da República – isto é, para ser liberado, do ponto de vista partidário, a apoiar o irmão senador Alvaro Dias, candidato pelo Podemos. Se Lupi não aceitasse tal condição, Osmar, a contragosto, procuraria outra sigla para se filiar.

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