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Nos corredores

Osmar com Dilma

Depois de conversar com os petistas Gleisi Hoffmann e André Vargas na semana passada, o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias, espera por um encontro com Dilma Rousseff nos próximos 15 dias. Da reunião com a presidente sairá a decisão sobre a candidatura ao Senado, que será anunciada no dia 20.

Para onde vai o PP

O presidente estadual do PP, deputado federal Nelson Meurer, teve reunião na quarta-feira passada com o governador Beto Richa (PSDB) para tratar da aliança eleitoral no Paraná. "Está tudo muito bem encaminhado", disse Meurer, sobre o apoio à reeleição do tucano.

Imbróglio na vice

Apesar do "encaminhamento" descrito por Meurer, a principal liderança do PP no Paraná, o secretário estadual de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, só aceitaria o acordo se a vice de Richa fosse a deputada federal Cida Borghetti. Esposa de Barros, a parlamentar sofre com a alta concorrência – Richa reserva a vaga para um acordo com o PMDB.

Lá se vai um quarto de século desde que o Brasil recomeçou a eleição direta para presidente. Duas lições sobre a experiência estão consolidadas. O brasileiro vota no candidato (e não no partido) e olhando para frente (e não para o passado).

Em 1989, o jovial Fernando Collor se elegeu pelo Partido da Reconstrução Nacional. O PRN era uma marca fantasia criada a seis meses da disputa eleitoral, a partir do Partido da Juventude, fundado dois anos antes. Hoje o espólio das duas siglas pertence ao Partido Trabalhista Cristão, que não tem sequer uma cadeira no Congresso Nacional.

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso foi eleito como pai do Plano Real, não como um dos pais do PSDB, fundado em 1988 como uma dissidência à esquerda do PMDB. Cardoso virou candidato ideal de última hora porque ofereceu a perspectiva de uma economia estável. Se o brasileiro votasse pelo retrospecto de 1989, Lula teria sido imbatível.

Por ironia do destino, Lula também acabou beneficiado pelo futurismo do eleitor. Em 2002, com uma imagem repaginada, o "Lulinha Paz e Amor" convenceu a maioria de que poderia ir além da estabilidade econômica e apagou três derrotas consecutivas do currículo. Tornou-se um nome maior que o PT – em 2006, reelegeu-se no auge do escândalo do mensalão e, em 2010, conseguiu fazer uma sucessora que nunca havia participado de uma eleição anteriormente.

Eis que o país chega à disputa de 2014. Um dos primeiros atos de campanha do PSDB em Brasília foi rea­lizar, na semana passada, uma sessão solene em homenagem aos 20 anos do Plano Real. Aécio Neves e companhia pareciam protagonistas de uma novela do Vale a Pena Ver de Novo.

Coube a um senhor de 82 anos dar uma chacoalhada no ambiente. "O Brasil está precisando de ar novo, de sangue novo. Eu diria até mesmo que a minha geração já passou. Outro dia, conversando com amigos meus, todos octogenários, eu disse: 'Nós já morremos, gente! Nós somos testemunhas'", discursou FHC.

Seria comovente, não fosse, na verdade, algo como um sincericídio tucano. Não há futuro para o PSDB no passado. E, se o partido mantiver a polarização com os petistas nos termos atuais, vai permanecer nas cordas, como nas últimas três disputas presidenciais.

Comandado por Lula, o PT aprendeu a conduzir uma estratégia de campanha em que "escolhe" os tucanos como adversários. Na hora do mano a mano, expõe feitos sociais, como o Bolsa Família, e se coloca como única alternativa capaz de estender ações do gênero. Enquanto isso, o Plano Real soa como algo perdido em tempos remotos.

A novidade é que, em 2014, a fórmula do PT já não é lá uma alternativa realmente de futuro. Em três anos de gestão Dilma Rousseff, o país cresceu em média apenas 2% ao ano, metade do alcançado na média dos dois mandatos de Lula. Além disso, pela primeira vez em 20 anos de polarização com os tucanos, surge uma terceira via com potencial para fazer barulho.

Após conquistar um quinto do eleitorado em 2010, sem um partido forte nem estrutura financeira de campanha, Marina Silva misturou as duas lições descritas no primeiro parágrafo. Se conseguir transferir o ensinamento a Eduardo Campos, 2014 terá uma dinâmica completamente diferente. Talvez até mais do que nas últimas seis eleições, quem olhar para trás vai virar estátua de sal.

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