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Nos corredores

Neologismos

Na mesma quinta-feira, com poucas horas de diferença, Osmar Dias e Beto Richa "criaram" duas expressões para atacar um ao outro. Osmar copiou Lula e usou uma metáfora futebolística para chamar o adversário de "piá de prédio". Já o tucano disse que o rival sofre de "síndrome de Estocolmo" porque, após ser "sequestrado" por Roberto Requião em 2006, usa os mesmos argumentos com que foi fustigado no passado para hoje atingir Beto.

Veio dos marqueteiros?

As duas expressões soam artificiais. Todo bom maringaense, como Osmar, usa comumente "moleque" – "piá" é coisa de curitibano. Além disso, o pedetista tem sido aconselhado a mostrar identificação com Lula. Já Beto raramente é irônico, seja para atacar ou para se defender. Normalmente se agarra ao chavão de que só discute proposta ou cita que aprendeu a fazer a "boa política" com o pai, José Richa.

Haja concentração

O fracasso do esforço concentrado na Câmara dos Deputados, semana passada, também levou para o buraco a audiência pública que debateria a PEC 544/2002, que cria mais quatro tribunais regionais federais – um deles em Curitiba. A proposta já foi aprovada pelo Senado, passou pelas comissões da Câmara e desde novembro de 2003 aguarda pela apreciação em plenários pelos deputados.

Um amigo que trabalhava na saudosa Telepar teve uma difícil missão em 1991. Coube a ele fazer um estudo de viabilidade sobre a implantação da telefonia celular no Paraná. Até hoje se orgulha da tarefa, não fosse por uma previsão errada – o estado teria 300 mil celulares em 2010.De acordo com um estudo divulgado pela Agência Nacional de Telefonia na sexta-feira, os paranaenses possuem hoje 10.446.504 aparelhos. Ou seja, uma quantidade 35 vezes maior do que a estimativa feita pelo colega. Mas, naquela época, a análise não era necessariamente errada.

Os números servem para ilustrar um pouco da história das privatizações no Brasil e no Paraná, tema recorrente das atuais disputas eleitorais. Afinal de contas, essas negociações foram boas ou ruins para a população? Quem responde simplesmente sim ou não está tentando enganar o eleitor.

Ao caso da Telepar. Há 13 anos, quando a empresa foi negociada, a "posse" de uma linha fixa no estado custava US$ 3 mil e a habilitação de uma móvel, US$ 400. Hoje, graças à livre competição do mercado, o consumidor só paga pelo serviço.

Se tudo continuasse como nos anos 1990, isso seria inimaginável. Não que a Telepar fosse uma bomba, mas não tinha capacidade de investimento compatível com a demanda. Teríamos de nos contentar com o teto de 300 mil celulares.

Isso quer dizer que toda privatização é uma dádiva? Devagar com o andor porque cada caso é um caso. Livrar-se de empresas em setores nos quais há monopólio não é lá muito inteligente.

É o que aconteceria com a Copel. Digamos que ela realmente tivesse sido privatizada, em 2000. Nada leva a crer que o grupo que ficasse com a empresa investiria nela. Como não há concorrência, seria uma moleza conseguir lucro sem ampliá-la.

Há vários exemplos de empresas estatais que são geridas com finalidade social, como a Copel. A Petrobras é uma das poucas fontes de investimento real do governo. Já as economias do orçamento próprio da União são canalizadas para equilibrar as contas e fazer superávit.

E a venda da Vale? Segue a mesma regra. Privatizada em 1997, teve de se virar com a concorrência e só se transformou na segunda maior mineradora do mundo porque investiu. Na época, tinha 10,9 mil funcionários, número que subiu para 62.490 uma década depois.

Sempre há o argumento de que o Estado pode sim implantar uma gestão profissional e garantir suas empresas. É verdade, mas não é a prática. Se por um lado Lula acertou com a Petrobras, errou feio com os Correios.

No Paraná, Osmar Dias (PDT) elegeu o Banestado como bandeira para colocar a pecha de privatista em Beto Richa (PSDB). O tucano não tem se constrangido em afirmar que, sim, votou favoravelmente à venda do banco quando era deputado estadual. Na verdade, o banco era mesmo um buraco negro.

Ao falar sobre o tema, o último presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, garante que essa discussão une o nada ao lugar nenhum. E lembra que, segundo investigações do Banco Central, a má gestão começou em 1985, o que significa que atingiu os governos de José Richa (pai de Beto Richa), Alvaro Dias (irmão de Osmar), Roberto Requião (apoiador de Osmar em 2010) e Jaime Lerner (padrinho de Beto na campanha para governador de 2002).

Por essas e outras é tão estranho que o debate político sobre privatizações continue tão pueril. Seria bem mais interessante ouvir propostas de como preparar as estatais para o futuro. O único exemplo a seguir é que a verdade não é uma só.

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