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Nos corredores

Na primeira fila

Dois paranaenses que ocupam cargos cobiçados no governo Lula acompanharam bem de perto, perto mesmo, a divulgação do balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na última quinta-feira. O presidente de Itaipu, Jorge Samek, e a ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, dividiram a primeira fila para ver o discurso do presidente. Ambos ainda não foram mantidos nos cargos por Dilma Rousseff (PT).

À espera da liderança

O PSDB deve resolver nesta semana quem será o líder do partido no Senado em 2011. Há expectativa sobre o posicionamento do recém-eleito Aécio Neves. A tendência, no entanto, é que o posto fique com Alvaro Dias. O paranaense deveria ter assumido a liderança no começo de 2010, mas cedeu lugar para Arthur Virgilio (AM). A ideia era dar visibilidade ao amazonense, que disputou a reeleição. E perdeu.

Trocas caseiras

Os senadores eleitos Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) já sabem em quais gabinetes vão se alojar a partir de fevereiro. A petista ocupará a sala da colega de partido, a catarinense Ideli Salvatti. Já Requião ficará com o gabinete de Osmar Dias (PDT). Na cotação "imobiliária" do Senado, o espaço ocupado por Alvaro Dias é considerado bem mais nobre.

Beto Richa (PSDB) venceu a eleição para governador porque os paranaenses acreditaram na proposta de renovação. Faz sentido. Ele é jovem, com um discurso moderno de gestão pública e carrega o respaldo da aprovação popular como prefeito de Curitiba.

E se as pessoas votaram na mu­­­­dança, é óbvio, desejam inovações. Portanto, deram crédito para o futuro governador agir diferente do anterior. A princípio, não é bem por aí que a situação caminha.

Alguns dos primeiros passos de Beto após a vitória deixaram pegadas idênticas às de Roberto Requião (PMDB). A começar pelo nepotismo. O peemedebista chegou a nomear oito parentes no governo, três deles no primeiro escalão, enquanto Beto já anunciou o irmão e a mulher como secretários.

No mesmo caso, há outras semelhanças sutis. De acordo com a súmula antinepotismo editada pelo Supremo Tribunal Federal, em 2008, é permitido nomear parentes apenas para "cargos políticos" – no caso das administrações estaduais, so­­mente as secretarias. Para acomo­­dar o irmão Eduardo Requião no governo após a decisão, Roberto transformou o Escritório de Re­­presentação do Paraná em Bra­­sília em Secretaria Especial. Já Be­­to acaba de criar a Secretaria da Família para a esposa Fer­­nanda Richa.

A notícia correu o Brasil rapidamente. Os grandes jornais nacionais, que se fartaram de noticiar as excentricidades de Requião (como o episódio da degustação de mamona no gabinete presidencial), não se omitiram em relação a Richa. Em chamada de capa, o carioca O Globo ironizou a escolha de Fernanda com o título: Secretaria da... Minha Família.

Já o jornal Luzilândia, de Tere­sina, fez a comparação: Piauí e Paraná serão os estados campeões de nepotismo em 2011. O texto cita que Beto e o governador eleito Wilson Martins (PSB) são os que mais nomearam parentes para o primeiro escalão entre todos os 27 estados. Martins também escolheu a mulher e um ir­­mão como secretários.

A "renovação" paranaense não para por aí. Em 2006, o PSDB, inclusive Beto, apoiou formalmente o senador Osmar Dias (PDT) no segundo turno contra Requião. Boa parte do partido, contudo, não respeitou a decisão.

Os tucanos do "bico vermelho", como apelidou Requião, fo­­ram logo recompensados. O deputado estadual Nelson Gar­­cia (PSDB) foi escolhido para a Secretaria Estadual do Trabalho. Na prática, a legenda nunca fez oposição na Assembleia Le­­gislativa.

Em 2010, foi o PMDB quem ficou com Osmar contra Beto. Mas uma ala significativa do partido apoiou o ex-prefeito. Ter­­minada a eleição, o governador eleito está prestes a selar uma aliança com os peemedebistas – e curiosamente o que está em jogo é mais uma vez a Secretaria do Trabalho.

Sim, parecem filmes repetidos. O problema é que todos esperam do novo governo algo bem diferente. E não só no Paraná – Beto é uma das apostas mais pesadas de oxigenação do PSDB no plano nacional.

Em Brasília, ele é visto como uma liderança promissora, um dos poucos com capacidade de ajudar o mineiro Aécio Neves a contrapor a hegemonia petista. Que fique registrado: toda a ex­­pectativa é justificada, o futuro governador tem o que mostrar. Mas os eleitores, aqueles que es­­colheram a renovação, ainda esperam que ele seja mais Beto do que Roberto.

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