• Carregando...

O castelo da família do deputado federal Edmar Moreira tem mármore por toda a parte - inclusive nos banheiros e na sauna. São 36 suítes, e uma delas ocupa três andares de uma torre. Há piscinas, lago e jardins. Ele foi eleito no início deste mês para ser corregedor da Câmara dos Deputados. O corregedor é responsável por fiscalizar os colegas. Mas, Moreira assumiu avisando que não ia fiscalizar ninguém.

Depois disso, o Brasil ficou sabendo da polêmica propriedade. Pressionado, Edmar renunciou à corregedoria. Ele foi acusado de não declarar o castelo em seu Imposto de Renda. O caso chegou à Justiça Eleitoral.

Dizendo-se perseguido, o político pediu desligamento de seu partido, o Democratas, e aguarda decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se o tribunal entender que ele foi mesmo perseguido, Edmar poderá mudar de partido. Caso contrário, perderá o mandato.

O deputado estadual de Minas Gerais Leonardo Moreira, filho de Edmar, defende o pai. "O deputado Edmar Moreira não é dono de castelo. O castelo foi transferido há mais de 16 anos para mim e para meu irmão e, por isso, não poderia constar no seu Imposto de Renda".

Dentro do castelo

É Leonardo quem abriu o castelo, com exclusividade, para o Fantástico. A entrada principal da propriedade, que foi projetada em 1990, tem móveis. Mas, segundo Leonardo Moreira, ele nunca foi habitado. "De 1982 a 1990 foi o período da sua construção, ele foi finalizado em 1990. Desde então ele nunca foi habitado".

O salão domina o primeiro andar do castelo. Embaixo, fica um espaço para a adega, com capacidade para oito mil garrafas de vinho. Mas o que a equipe encontrou foram paredes sem pintura, fiação exposta e buraco no teto. A obra nunca foi finalizada.

A próxima parada é no segundo andar. O castelo tem dois elevadores que dão acesso aos seis andares. É preciso subir pela escada, porque, segundo o filho do deputado Edmar Moreira, o elevador não está funcionando.

As 36 suítes também estão inacabadas. Segundo o Leonardo, a única coisa que muda de uma para outra é a disposição. "Uma tem um closet num lugar, o banheiro em outro. Mas ela está totalmente inacabada desde 1990".

Das 36 suítes, 32 ficam no segundo andar. As outras quatro ocupam a torre do castelo. Cada banheiro tem um desenho diferente, uma arquitetura diferente e também materiais diferentes. Um, por exemplo, é feito de mármore azul.

"No Brasil, na época, não se encontrava desse material justamente porque um xeique havia comprado todo esse estoque em nosso país para revestir o castelo dele, que era o dobro desse aqui, de revestimento externo", conta o deputado.

No último andar, há a principal suíte, que tem três andares e ocupa cerca de 100 m². No primeiro, há um espaço para sala, com banheiro. Subindo, tem uma antessala e, depois, no outro nível, o quarto.

De volta ao primeiro andar, encontra-se a cozinha é industrial, que, pelo que tudo indica, hoje funciona mais como um depósito. O castelo tem ainda uma sauna.

Hotel

O filho de Edmar Moreira afirma que o castelo foi construído com a finalidade exclusiva de se abrigar um hotel que pudesse atrair um turismo nacional e internacional na região. Mas o hotel nunca abriu as portas. "Nós tínhamos uma expectativa que a infraestrutura viária e aeroporto da região, que ela se desenvolvesse e, na verdade, o que houve foi uma retração. Ao invés de melhorar, ela piorou" explica, justificando porque o hotel nunca existiu.

Segundo um documento apresentado por Leonardo, em 1993, Edmar e a mulher transferiram o castelo para os filhos.

"Nunca houve um projeto para que isto aqui se tornasse um cassino e sim um hotel que pudesse abrigar um hóspede de uma categoria bem classificada e trouxesse um turismo a renda maior para região, que é carente".

Origem do dinheiro

O deputado afirmou ainda que o dinheiro para a construção do castelo veio do lastro financeiro que o empresário Edmar Moreira, na década de 1980, tinha, que pode ser comprovado.

No entanto, ao ser questionado se tem provas de que esse dinheiro saiu do empresário e não do político, Leonardo é evasivo. "Muito mais do que eu ter provas, eu confio na Justiça, eu confio no Ministério Público, eu confio no Poder Judiciário, eu estou lhe franqueando a minha declaração de Imposto de Renda, onde isso encontra-se lançado".

Em uma cópia do Imposto de Renda de 2007, Leonardo declara ser dono de metade da propriedade. Ele afirma que, ao receber o castelo do pai, em 1993, o valor total do imóvel era R$ 6,4 milhões. Hoje vale muito mais.

Avaliado por mais de 30 empresas do setor pelo Brasil afora, ele tem preços que variam de R$ 25 a R$ 30 milhões. E, de acordo com Leonardo, a propriedade foi passada para o nome dos filhos porque o pai estava se dedicando à vida pública e se desligando das empresas.

Ações na Justiça

A Procuradoria-Geral da República investigou a vida empresarial de Edmar Moreira, que é ex-oficial da Polícia Militar de Minas Gerais. Ele responde a mais de duas mil ações trabalhistas e é acusado de não ter pago juros, correção monetária e multas sobre as dívidas.

Edmar era um dos deputados que recebiam o salário em dinheiro vivo na Câmara. Era um modo de continuar tendo acesso ao dinheiro, caso uma decisão judicial bloqueasse os bens dele.

O deputado Edmar Moreira não quis gravar entrevista. O TSE só vai começar a decidir o destino do deputado federal depois que o partido dele, o Democratas, manifestar-se sobre o pedido de desligamento, o que deve acontecer nesta semana.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]