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Dirceu e mais três condenados entregam passaportes ao Supremo

Pedro Corrêa, João Cláudio Genu e Rogério Tolentino também deixaram seus documentos, depois de pedido do relator

Barbosa determinou a entrega dos passaportes em 24 horas. Quatro condenados obedeceram | Felipe Sampaio/STF
Barbosa determinou a entrega dos passaportes em 24 horas. Quatro condenados obedeceram (Foto: Felipe Sampaio/STF)

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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha no julgamento do mensalão, entregou ontem seu passaporte ao Supremo Tribunal Federal (STF). Outros três réus condenados – o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), a ex-assessor parlamentar do PP João Cláudio Genu e o advogado Rogério Tolentino – também já deixaram seus passaportes no STF. Os documentos estão no gabinete do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão.

Outros 20 réus condenados, entre os quais o ex-presidente do PT José Genoino, também precisam entregar o documento.

Eles atendem uma determinação do relator do processo, Joaquim Barbosa, que determinou que os 25 réus condenados entregassem seus passaportes. Foi dado um prazo de 24 horas, a partir do momento em que fossem notificados. A decisão foi toma­­da após um pedido feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Na decisão, o relator argumentou que "os acusados são pessoas com notório poder político e, alguns, de grande poder econômico, sendo necessário adotar-se providências para garantir a eficácia da decisão final".

No despacho, Joaquim Barbosa fez críticas ao comportamento de alguns réus. "Uns [réus], por terem realizado viagens ao exterior nesta fase final do julgamento. Outros, por darem a impressão de serem pessoas fora do alcance da lei, a ponto de, em atitude de manifesta afronta a este Supremo Tribunal Federal, qualificar como ‘política’ a árdua, séria, imparcial e transparente atividade jurisdicional a que vem se dedicando esta Corte, desde o dia 2 de agosto último", disse.

Entrega

Em texto publicado quinta-feira em seu blog, Dirceu reclamou da decisão e disse que a medida pode ser encarada como "populismo jurídico". Para o ex-ministro da Casa Civil, a decisão "é tentativa de intimidar os réus, cercear o direito de defesa e expor os demais ministros ao clamor popular".

Apesar das críticas, Dirceu também reproduziu nota de autoria de José Luís de Oliveira, advogado que o defende no STF. No texto, o defensor disse que entregaria o documento de seu cliente. Ele afirmou que numa democracia há liberdade de expressão para criticar uma decisão judicial. Mas também disse que "decisões judiciais devem ser respeitadas e cumpridas".

Segundo a assessoria de imprensa do STF, Genu entregou seu passaporte na quinta-feira. Tolentino já tinha feito isso antes mesmo da decisão de Barbosa.

Defesa

O ministro Gilmar Mendes defendeu a decisão de recolher os passaportes. "São cautelas que devem ser tomadas, até porque o juiz que conduz que o processo depois fica com a responsabilidade [de uma eventual fuga]", disse o Mendes. O ministro citou o caso do ex-médico Roger Abdelmassih, que fugiu após receber um habeas corpus dado pelo próprio em 2009, quando era presidente do STF. "São advertências que os fatos nos fazem", afirmou Mendes.

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