
Embora ainda considere que tem o direito constitucional de ir e vir, o ex-deputado federal Romeu Queiroz (PSB-MG) alegou não ter tido a intenção de desafiar o Supremo Tribunal Federal (STF) quando viajou para o Caribe, em meio ao julgamento do mensalão. Condenado pelo Supremo, Queiroz viajou com a mulher para a Ilha de Curaçao, no Caribe, no dia 23 de outubro. Só voltou oito dias depois.
Por ter recebido R$ 350 mil do operador Marcos Valério, Queiroz, filiado ao PTB à época, foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. "Fiquei naquela: viajo ou não viajo? Só viajei porque ia comemorar 40 anos de casamento e meus filhos me deram o passeio de presente. Queria deixar bem claro que não quis afrontar ou desrespeitar o Supremo Tribunal. A Constituição garante o direito de ir e vir. Não pensei em sair fugido do Brasil hora nenhuma", disse.
Questionado sobre as críticas do ministro Joaquim Barbosa, endereçadas a ele e ao ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que passou uma temporada na Europa, Queiroz preferiu falar sobre seu passaporte. "Hoje mesmo falei com meu advogado para saber se ele recebeu algum comunicado. Decisão do Supremo não se discute. Ainda não fui notificado oficialmente, mas quero resolver isso rapidamente", garantiu.
Barbosa ordenou na quinta-feira a retenção do passaporte e a inclusão de todos os réus na lista de impedidos de deixar o país da Polícia Federal (PF).
Ronaldo Garcia Dias, advogado do condenado, ironizou o episódio: "Foi uma viagem de uma semana. Ele aproveitou porque o Joaquim Barbosa também viajou", disse. O julgamento do mensalão ficou suspenso por mais de uma semana em razão da viagem de Barbosa para tratamento médico na Alemanha.



