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Laudo aponta envolvimento de obra no Paraná no esquema da Lava Jato

Laudo de perícia criminal encomendado pela Polícia Federal (PF) revela indícios de que a empresa Sanko-Sider recebeu por serviços não prestados para o Consórcio CNCC, do Grupo Camargo Corrêa, em obras da Petrobras na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. A mesma empresa é citada nas investigações da Operação Lava Jato por supostamente ter feito o mesmo na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Os valores recebidos também são semelhantes aos que a Sanko repassou, em seguida, a empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef.

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O doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, está entregando ao Ministério Público Federal (MPF) farta documentação para comprovar todas as revelações de sua delação premiada. Youssef começou a depor quinta-feira (2), depôs nesta sexta (3) e vai depor sábado e domingo, ininterruptamente. Não há prazo para terminar. O doleiro sabe muito sobre contratos de empresas públicas com empreiteiras e prestadores de serviços, vai apontar empresas, empresários, políticos. Um investigador disse que "uma contribuição desse tamanho ninguém sabe onde ela vai parar".

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Os procuradores querem informações sobre pelo menos 750 contratos públicos que têm as digitais de Youssef, 17 deles relativos a empreendimentos da Petrobrás, na gestão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal. Quando a Lava Jato foi deflagrada, em março, a Polícia Federal encontrou em poder do doleiro relatório intitulado "planilha de projetos", documento que mostra indícios de que Youssef intermediou 750 projetos entre grandes construtoras e órgãos públicos, no período de fevereiro de 2009 a maio de 2012. A planilha revela movimentos do doleiro em setores da administração pública.

Somados, os valores referentes a estes contratos ultrapassam a "casa dos bilhões", segundo relatório da PF. Pelo menos 17 contratos da Petrobras para grandes empreendimentos nas áreas de refinarias e gás teriam tido a participação do doleiro, suspeita a PF. A investigação aponta, preliminarmente, que Youssef recebeu comissões no valor aproximado de R$ 160 milhões no âmbito dos 17 contratos com a Petrobras.

A força tarefa de procuradores da República quer saber quem são os contatos do doleiro nos órgãos públicos, por onde ele circulou, quem recebeu propinas, contas para onde foram transferidos valores ilícitos. Ele tem documentos de cada transação. No acordo de delação premiada comprometeu-se a entregar todos os registros.

A cada situação que apontar, a cada contrato que fizer menção, a cada episódio de corrupção e lavagem de dinheiro que confessar, Youssef se compromete a juntar documentação para comprovar o que diz. "Dessa vez o interesse público vai ser muito bem atendido", avalia um investigador.

A delação de Youssef será "infinitamente mais robusta" que a delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa - o executivo fez uma sucessão de depoimentos e apontou pelo menos 32 parlamentares como supostos beneficiários de propinas. A grande diferença das delações de Youssef e de Costa é que o doleiro vai enriquecer seus relatos com papéis, registros de operações ilícitas.

A delação do doleiro será mais robusta e mais longa que a de Costa. Não tem previsão para acabar. Um investigador reiterou que "o que vai ser diferente (em relação à delação de Costa) é que ele (Youssef) vai apresentar documentação".

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