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Lideranças do PT foram condenadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e também por parte da opinião pública, que torcia pelos votos dos ministros como os telespectadores de Avenida Brasil torcem pela Carminha. Mas, mesmo assim, o partido cresceu nas eleições de 2012. O cidadão brasileiro mostra, mais uma vez, que age com uma dinâmica muito diferente da esperada pelos nossos políticos.

As campanhas eleitorais dos partidos contrários ao PT usaram e abusaram das referências ao julgamento do mensalão, destacando que as lideranças do partido estavam no banco dos réus e depois haviam sido condenadas. Os jornais, televisões, rádios e portais de internet acompanharam o julgamento com muitos detalhes. Os comentários nas redes sociais sobre a atuação do relator do caso do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, comprovam que o tema teve ampla repercussão.

Muitos analistas já apontaram que o que move o eleitor em uma eleição municipal tem pouco a ver com ideologia do partido, e por isso a estratégia eleitoral de colocar o PT contra a parede não tem surtido efeito.

De fato, o que inspira o eleitor em uma disputa municipal é a perspectiva de conseguir resolver problemas locais. A preocupação é se a rua onde se mora tem asfalto e calçada, se o módulo policial do bairro funciona ou não (isso quando ele existe), se os ônibus vão vir no horário, se os parques vão ganhar iluminação, se haverá ciclovia na vizinhança ou se ela só estará disponível para poucos afortunados, se há praças com equipamentos adequados...

Esses assuntos são a prioridade para o eleitor, e por isso as referências sobre a ligação de um candidato ou outro ao partido do mensalão não tem espantado os eleitores. De acordo com o cientista político Alberto Carlos Almeida, a eficiência eleitoral do PT continuou aumentando agora em 2012. Em artigo publicado ontem pelo jornal Valor Econômico, ele diz que em 1996 o PT elegeu apenas 10% de todos os candidatos a prefeito lançados pelo partido. Quatro anos depois, 14% foram eleitos. Em 2004, quando Luiz Inácio Lula da Silva estava no início do mandato como presidente do Brasil, a eficiência chegou a 21%. Na eleição seguinte, dois anos após o escândalo do mensalão ter vindo à tona, o PT elegeu 30% dos seus candidatos. Agora, em 2012, considerando apenas o primeiro turno, esse porcentual chegou a 35%.

Almeida pondera que o ritmo de crescimento desacelerou, mas diz que é impossível concluir se isso se deve ao julgamento do mensalão ou não. O fato é que o PT teve o maior índice de eficiência eleitoral municipal, e vem se aproximando do desempenho obtido por outros grandes partidos que costumam lançar apenas candidatos competitivos, com chance de vitória. Segundo o cientista político, PSDB e PMDB seguem essa cartilha, e por isso têm alta eficiência nas eleições municipais (veja tabela abaixo).

Curitiba

Durante o período eleitoral, a Gazeta do Povo convidou os eleitores a participarem de uma enquete, para apontar quais as áreas que precisam de melhorias dentre dez (segurança, infraestrutura, cultura, mobilidade urbana, saúde, educação, meio ambiente, esporte e lazer, políticas sociais e habitação). Das cerca de 900 pessoas que usaram a ferramenta "Demandas da população", um terço apontou a segurança como o principal problema. Mas os comentários escritos pelos cidadãos curitibanos que participaram da enquete – cerca de 50 páginas de texto – revelam outras curiosidades. Depois da palavra "segurança", a que mais aparece é "bairro". E é justamente isso: é a realidade de cada bairro e a perspectiva de um candidato resolver esses problemas é que vão definir o voto do eleitor, e não o julgamento do mensalão no STF.

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