Martins: cobrança de coerência | Priscila Forone/Gazeta do Povo
Martins: cobrança de coerência| Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo

Um clima de desconfiança geral começa a rondar a Assembleia Legislativa do Paraná à medida que aumentam as costuras para a sucessão estadual de 2010. Um desabafo do líder do PDT na Casa, Luiz Carlos Martins, ontem na tribuna, foi o estopim para desabafos, explicações e mal-estar de muitos parlamentares.

Martins criticou as mudanças bruscas de posição de deputados que fazem parte da aliança formada na campanha de Osmar Dias (PDT) para o governo do estado, em 2006. Eles estariam "atirando para todos os lados" em busca de perspectiva de poder a partir do ano que vem. Além do PDT, o grupo político é formado pelo PPS, PP, PSDB, DEM e PSB.

Sem citar nomes, o deputado disse que existe uma "tropa de ocupação", que fica "dentro do armário", em torno do prefeito Beto Richa (PSDB). Esse grupo cobra cada vez mais espaço na administração municipal e tenta minar a aliança com o senador Osmar Dias. "Eles estão agindo de má-fé e tentando blindar o Beto. Essa tropa de ocupação inferniza, divide. Até quando nós, que vamos às ruas pedir votos, vamos ficar quietos?"

O líder do PDT criticou ainda o PSDB e o PMDB porque "um está cortejando o outro". Sobrou até para os deputados da própria oposição, que segundo ele, estão "se coçando na cerca do Canguiri", se referindo a uma aproximação do governador Roberto Requião (PMDB). A Granja Canguiri é a residência oficial do governador.

Nem os peemedebistas foram poupados. Luiz Carlos Martins disse que a possibilidade de o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) ser candidato ao Palácio Iguaçu está forçando mudanças repentinas de opiniões sobre ele. "Diziam que o Pessuti era um gordo desajeitado, que não sabia cantar nem declamar poesia. Agora, está mudando. É um gordo roliço, canta e declama muito bem e é um grande companheiro", disse. "Gente, só estou pedindo um pouco de coerência", emendou.

A fala mexeu com os brios dos deputados. O presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, se apressou em dizer que a aliança com o PDT continua firme e que o prefeito Beto Richa já avisou que não vai discutir a eleição para governador sem a presença do senador Osmar Dias. Mas o tucano não descartou que Richa possa disputar a sucessão. "No momento oportuno será tomada uma decisão. Vamos caminhar juntos e escolher o melhor candidato", disse.

O líder do PSDB, Ademar Traiano, subiu à tribuna para garantir que, em seus 18 anos de Assembleia, "está sempre do mesmo lado, no mesmo grupo político". Soou como resposta às declarações de Luiz Carlos Martins de que oposicionistas estavam simpáticos a Requião.

O PMDB foi representado por Nereu Moura, que defendeu candidatura própria a governador. Na tribuna, disse que o PMDB estava sendo colocado como "patinho feio" nas conversas sobre sucessão e que estava "morto", sem perspectiva de vitória. Para Moura, o PMDB tem poder no estado inteiro e precisa reagir. "Um partido como o nosso não pode ter medo de disputar a eleição."

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