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A morte do ex-deputado federal foi confirmada pela assessoria de imprensa do PSDB | Gilberto Nascimento / Agência Câmara
A morte do ex-deputado federal foi confirmada pela assessoria de imprensa do PSDB| Foto: Gilberto Nascimento / Agência Câmara

Oposição perde vários nomes

Vários políticos de renome nacional ficaram de fora do Congresso Nacional para a próxima legislatura. Boa parte dos que perderam o mandato eram nomes importantes da oposição ao governo Lula. É o caso do senador amazonense Arthur Virglio (PSDB-AM), que acabou em terceiro lugar na tentativa de reeleição.

Tasso Jereissati (PSDB), ex-governador do Ceará, também não conseguiu se reeleger para o Senado. Jereissati já afirmou, inclusive, que a derrota encerra a sua carreira política definitivamente. O mesmo aconteceu com o senador Marco Maciel (DEM-PE), que por duas vezes foi vice-presidente da República, durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Outros nomes da oposição que ficaram de fora são o deputado federal baiano José Carlos Aleluia (DEM), que tentou se eleger senador; Heráclito Fortes (DEM-PI), que tentava o terceiro mandato de senador; e Mão Santa (PSC-PI). A deputada federal Luciana Genro (PSol) também não conseguiu quociente eleitoral para manter a vaga no Congresso.

Da Redação

A eleição de 2010 colocou fim à carreira do mais antigo representante do Paraná no Congresso Nacional e encerrou a trajetória de uma família que há mais de um século participa da vida pública no estado. Affonso Camargo (PSDB) não conseguiu a reeleição para deputado federal e decidiu se aposentar da vida política depois de 54 anos. "Sempre disse que a juíza urna iria decidir quando fosse a hora de eu parar. E agora ela disse", afirma.

Affonso Camargo está no Congresso desde 1978. Exerceu dois mandatos de senador (o primeiro como biônico, durante a ditadura militar) e quatro de deputado federal. No total, foram 32 anos consecutivos em Brasília. Mas a carreira havia começado bem antes, em 1956. "Minha família sempre esteve ligada à política, mas eu não pensava nisso. Aí, um dia, andando pela Rua XV, alguém me deu um panfleto dizendo que a culpa pelos problemas da política era dos omissos. Foi então que eu decidi me filiar a um partido", conta.

Desde lá, além de deputado e senador, a carreira incluiu passagens pelos cargos de vice-governador (no primeiro mandato de Ney Braga) e de ministro por três vezes. Na primeira nomeação para ministro, um de seus maiores orgulhos, foi indicado para a pasta dos Transportes pelo presidente eleito Tancredo Neves. Depois da morte de Tancredo, José Sarney manteve a indicação. No governo Collor, o paranaense também foi ministro dos Transportes e das Comunicações.

Mas o maior orgulho do politico foi a criação da lei do vale-transporte. "O vale-transporte existia, mas a concessão ao trabalhador era opcional. Minha lei tornou obrigatório. Por isso dizem que eu sou o pai do vale-transporte", diz.

O deputado conta que, de certo modo, a sua não reeleição foi uma dádiva. Ele diz que não tem mais ânimo para quatro anos no Congresso. "Na Câmara do Tiririca? Não me anima. O Congresso piorou bastante."

Em 2002, o deputado chegou a ser o mais votado do Paraná. Como sempre, boa parte do eleitorado vinha de Ponta Grossa. "Criei uma identificação muito forte com a cidade, que é mais conservadora", afirma. Nesta eleição, porém, o fato de a cidade ter, pela primeira vez em muitos anos, eleito um deputado que tinha como base principal a cidade, Sandro Alex (PPS), ajudou a derrubar a votação de Affonso Camargo. "Mas não foi nem isso o principal. Acho que cansaram de mim", brinca.

O deputado diz que a eleição acabou sendo a deixa para ele largar de vez a vida pública. Ontem mesmo foi ao partido e renunciou a seus cargos na executiva e no diretório estadual. E garante que nem se for chamado como suplente assumirá vaga no Congresso. "Nesse caso, renuncio à suplência", afirma.

A saída do deputado encerra, pelo menos temporariamente, a participação da família na política paranaense. A tradição começou ainda no século 19, quando Affonso Camargo (avô do deputado) foi eleito deputado estadual pela primeira vez. Depois de vários mandatos, foi eleito presidente do estado (cargo equivalente ao de governador) em 1916. Assumiu a presidência do estado novamente em 1928, sendo derrubado pela revolução de 1930, de Getúlio Vargas.

Por outro ramo, Affonso Camargo também é sobrinho de Bento Munhoz da Rocha Neto, deputado e governador do Paraná entre 1951 e 1955. Depois disso, outros parentes também tiveram mandatos. Paulo Camargo foi deputado estadual e Mario Camargo, vereador.

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