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Ensino

Notas vermelhas em meio às azuis

Educação pública do Paraná está entre as melhores do país. Mas o estado ainda está longe do desempenho de nações desenvolvidas e precisa corrigir discrepâncias na qualidade das escolas

  • PorCaroline Olinda com colaboração de Rosana Félix
  • 28/08/2010 21:05
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Dados

> 230 escolas da rede estadual do Paraná melhoraram a nota do Ideb em 2009 na comparação com o ano anterior. Isso representa 65% do total de estabelecimentos estaduais que foram avaliados (353). Os dados são da Secretaria Estadual de Educação, que informou também que 80% das escolas atingiram ou superaram a meta projetada para 2009.

> 3,9 foi a nota obtida pelo Paraná neste ano no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Curitiba também foi o primeiro lugar entre as capitais do país, com índice 5,7.

> 6 é a meta que o país pretende atingir no Ideb em 2022, ano do bicentenário da Independência. Essa é a nota que países desenvolvidos costumam atingir no índice, numa escala que varia de 0 a 10.

> R$ 1.991 era a média salarial dos professores da rede estadual do Paraná em 2008, segundo estudo do MEC. A dos profissionais das redes municipais era de R$ 1.173.

> Ensino superior e pesquisa científica serão o tema da próxima edição desta série especial.

Reivindicações

No próximo dia 10, os profissionais ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná entregam os pedidos aos candidatos ao governo do estado. Confira quais são as principais reivindicações:

> Salários melhores.

> Um padrão de qualidade das salas de aula, que precisarão ser mais bem equipadas e ter menos alunos.

> Atenção à saúde dos profissionais da área de educação.

> Realização de concursos públicos.

> Prosseguir o trabalho de formação continuada dos professores.

Excesso de alunos por sala é criticado

O próximo governador precisará trabalhar para aumentar o salário dos professores, ampliar o número de profissionais na área de educação, melhorar a estrutura das escolas públicas e reduzir a quantidade de alunos por sala de aula. Esses pontos fazem parte do caderno de reivindicações que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) entregará no dia 10 de setembro aos candidatos ao governo do estado.

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Municípios querem diálogo com o estado

Um dos desafios para o próximo governador será manter um diálogo voltado para a educação com os municípios do Paraná. Esse é o desejo dos secretários municipais de educação do estado, segundo o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carlos Eduardo Sanches. "Queremos a construção de um plano de cooperação que seja contínuo e que tenha resultado práticos", diz Sanches, que também é secretário de educação de Castro.

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  • Confira alguns indicadores da educação no estado

O Paraná comemorou os resultados obtidos pelo estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) deste ano. O ensino médio das escolas públicas paranaenses alcançou o melhor desempenho nacional, com pontuação de 3,9 – numa escala em que a nota 6 é considerada muito boa, equivalente ao desempenho de nações desenvolvidas (a meta brasileira é atingir essa pontuação em 2022). No ensino fundamental, o estado ficou em quarto lugar, com 4,1 pontos. Curitiba também foi destaque com a maior nota (5,7) entre as capitais nos anos iniciais do ensino fundamental – da 1.ª à 5.ª série.

No entanto, embora esteja melhor que a maioria dos estados, os números revelam que o Paraná ainda tem muito o que avançar. A começar, por corrigir as discrepâncias na qualidade de ensino. Segundo dados do Ideb, 42% dos 399 municípios do Paraná obtiveram notas abaixo da média estadual em 2009. Em São Paulo, essa situação atinge apenas 20% dos 645 municípios do estado.

Os números demonstram a necessidade de estabelecer um padrão de qualidade para o ensino de todo o Paraná e trabalhar para que isso seja alcançado, tanto pelas escolas estaduais quanto municipais.

Para fazer isso, sugerem alguns especialistas, o próximo governador precisará criar uma forma de avaliação do ensino do estado, para ter uma ferramenta que possibilite entender os problemas e buscar soluções para a educação. O ideal é que esse exame tenha um caráter qualitativo, com mais questões discursivas. Isso evitaria criar uma avaliação que apenas se sobreponha ao exame nacional. E o Paraná ganharia uma ferramenta específica para avaliar o ensino no estado.

"É importante a gente ter um sistema próprio sim, mas com características diferentes desse sistema de avaliação [nacional] e com metodologia própria", afirma a professora da Uni­­versidade Estadual de Londrina (UEL) Ednéia Consolin Poli, doutora em Educação pela Uni­­versidade de Campinas (Uni­­camp). "A gente pode aproveitar esses indicadores que o Saeb e a Prova Brasil [dois exames complementares que compõem o Sistema de Avaliação da Educação Básica] trazem para fazer outras análises. Analisar fatores intraescolares, fazer provas na qual a gente possa, por exemplo, olhar como as crianças pensaram para responder àquelas questões", diz Ednéia.

O professor de pós-graduação em Educação Ângelo Souza, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), também defende a criação de um sistema de avaliação diferenciado do federal, para que se consiga analisar a fundo a educação no estado. "Seja quem for o governador do Paraná, ele deveria olhar com melhores olhos a recuperação de um sistema de avaliação. Não o retorno do AVA [Programa de Avaliação do Rendimento Escolar do Paraná criado em 1995 e que seguiu até 2000, quando foi abandonado para priorizar o exame nacional de educação] porque ele era voltado para a proficiência. Mas pensar a avaliação de forma mais consistente, que tome a proficiência estudantil apenas como mais um dos elementos. Não como o mais importante, nem como o único", comenta.

Avaliar para melhorar

Essa avaliação mais profunda do sistema de educação paranaense, no entendimento dos especialistas, deverá servir para ajudar os educadores a detectar os problemas e não para criar um ranking de escolas, nem premiar quem vai melhor nos testes ou punir quem tira notas piores.

"É preciso pensar um modelo de gestão democrática, que torne a avaliação um instrumento, e não um fim. A gente não estuda para ser avaliado; estuda para aprender. A avaliação é um instrumento para detectar em que medida o ensinar e o aprender estão precisando de mais suporte", afirma Souza.

O ranqueamento de escolas e a política de premiação ou punição são considerados alguns dos motivos para os sistemas de avaliação serem vistos com desconfiança pelos professores. "Os resultados das avaliações não podem culpar o professor. E isso é o que muitas vezes acontece. Você traz um resultado baixo de Ideb e diz que o problema é o professor. Não, exatamente não", comenta Ednéia.

A presidente do Sin­­dicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sin­­­dicato), Marlei Fernandes de Carvalho, reitera a necessidade da avaliação, mas vê como um problema a possibilidade disso resultar em premiações ou coisa do tipo. "Nós repudiamos essa fórmula de premiação individual para o professor ou para a escola. A avaliação tem que ser feita, mas não com objetivo de punir."

Análise

Para realmente ser útil, é preciso que a avaliação seja encarada pelos professores e gestores públicos como uma ferramenta para definição de políticas para o setor educacional e ajustes nas linhas pedagógicas. Afinal, de pouco adianta ter dados sem que seja feita uma leitura dessas informações para conseguir entender a realidade e, a partir disso, iniciar as mudanças.

Atualmente, existe deficiência na leitura dos dados apresentados pelo Ideb. Segundo Ednéia, os professores não têm "reais condições para debater os resultados [do Ideb] dentro do ambiente escolar". "Eles olham os resultados, mas não têm espaço suficiente para refletir esses resultados." Com isso, a escola acaba deixando de encarar os problemas detectados pela prova.

A necessidade de fazer uma avaliação mais aprofundada dos resultados é destacada pelo professor Romualdo Por­­tela, da Fa­­culdade de Educação da Uni­­versidade de São Paulo (USP). "A pergunta que fica é o que cada um tem de fazer para melhorar os resultados da qualidade de ensino? Porque os indicadores que nós temos, e que são muitos, evidenciam que nós temos um problema de qualidade", diz Portela, que não enxerga a necessidade de se criar um sistema de avaliação pró­­prio."É preciso tentar avançar na formulação de alternativas para intervir numa realidade que já está bem diagnosticada."

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