Os candidatos à Presidência Ivan Pinheiro (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU) participaram nesta terça-feira (21), em São Paulo, de debate promovido pelo jornal "Brasil de Fato".

A organização do evento, intitulado "debate dos presidenciáveis de esquerda", informou ter convidado também os candidatos Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e Plínio Arruda Sampaio (PSOL), que não compareceram.

Os candidatos debateram temas como políticas econômica e externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva, questão homossexual, reforma agrária, situação do trabalhador, desunião das esquerdas no país e propostas para grandes metrópoles.

Críticas à política externaOs candidatos criticaram a política externa do governo Lula ao comentar a atuação do Itamaraty durante o golpe de estado em Honduras.

Para Zé Maria, a ação do governo ao abrigar o ex-presidente Manuel Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa visou "estabilizar a situação mantendo o status quo". "A política externa está de acordo com os interesses dos EUA."

Pinheiro disse que o Itamaraty, sob Lula, pratica o que chamou de "política externa esperta", que tem por objetivo "fazer do Brasil uma grande potência capitalista nos marcos do imperialismo".

Pimenta afirmou que Lula e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, "poderiam ter feito muito mais do que fizeram" em relação ao golpe. Disse que a ação do Itamaraty marcou "capitulação política diante do surgimento de governos dissidentes dentro da América Latina".

Candidatos dizem que Lula privilegiou agronegócio

O tom dos três candidatos foi semelhante nos comentários sobre a política agrária do PT no Planalto. Afirmam que o governo privilegiou o agronegócio em detrimento do trabalhador rural.

"O que se configurou nesse governo e foi a essência da políitica de Lula para o campo foi o avanço do agronegócio", afirmou Zé Maria. Para Pimenta, o presidente "isolou movimentos que nao estão ligados ao governo" e atraiu latifundiários para sua base eleitoral. Pinheiro apontou "expansão impressionante" do agronegócio sob a gestão petista.

Situação do trabalhador

O diagnóstico dos candidatos também coincidiu sobre o tema da situação do trabalhador no país. Defenderam redução da jornada de trabalho sem redução salarial e medidas como estatização de empresas e controle da produção.

Pinheiro advogou por uma "revolução social". "Não vai ser apenas através do movimento sindical que vamos conseguir a emancipação dos trabalhadores." Zé Maria apontou alta incidência de doenças relativas ao trabalho e defendeu a estatização de empresas. Costa criticou a "burocracia sindical pelega ligada ao governo" e disse que trabalhadores devem ser "capazes de partir para a luta para controlar a produção".

União das esquerdas

Os candidatos também comentaram o fato de partidos de esquerda estarem divididos na eleição presidencial.

Costa disse que "há disposição de unidade" e identificou tendência de mudança na organização dos partidos de esquerda. "Todo mundo tem que entender que essa unidade não é uma coisa conquistada, ela tem que ser resultado do que vai se colocar na próxima etapa."

Pinheiro também preferiu destacar a "convergência" entre as siglas esquerdistas. Disse, contudo, que uma coligação para essas eleições seria "artificial", em razão de divergências conceituais entre as legendas.

Zé Maria disse que a união da esquerda deve vir na "luta concreta da classe trabalhadora". Lembrou que houve tentativa de fechar uma candidatura única entre PSTU, PCB e PSOL, iniciativa que não vingou por divergências programáticas com o PSOL. "Na medida em que não houve esse acordo com o PSOL, não seguimos o debate."

Reforma urbana

Natural do Rio de Janeiro, Pinheiro criticou as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), principal aposta do governo fluminense no combate à violência. Disse que a iniciativa visa "expulsar trabalhadores que moram naquelas regiões", promover a "especulação imobiliária" e "limpar" a cidade para eventos como a Copa 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Como propostas para as grandes metrópoles, Zé Maria defendeu penalizar a especulação imobiliária e promover a estatização do transporte público. Também citou como solução a execução de um "plano de obras públicas que, além de gerar empregos, possa dar conta de construir moradias".

Pimenta citou os déficits na habitação e no transporte como principais problemas das grandes cidades. Disse que ações do governo federal na área habitacional estão envoltas em "propaganda política ideológica". "Muito do que se diz do crescimento no governo Lula está ligado a especulação dos bancos e imobiliária por grandes consturtoras."

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