“Eu tenho que ver ainda primeiro qual o tamanho do estado que nós queremos para garantir todos esses avanços necessários. Mas pode ter certeza que o número de cargos vai ser do tamanho mínimo, suficiente” | Jonathan Campos / Gazeta do Povo
“Eu tenho que ver ainda primeiro qual o tamanho do estado que nós queremos para garantir todos esses avanços necessários. Mas pode ter certeza que o número de cargos vai ser do tamanho mínimo, suficiente”| Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo

Beto por Beto

Veja algumas curiosidades sobre o candidato:

Definição de política

"Política é uma arte nobre, é uma arte perfeita. Imperfeitos são os métodos de praticá-la algumas vezes."

Um ídolo na política: José Richa, ex-governador e pai de Beto.

Um político atual que admira: Aécio Neves, ex-governador de Minas.

Nota (de 0 a 10) para o governo Requião: 5

Nota (de 0 a 10) para o governo Lula: 5

Nota para José Serra no governo de São Paulo: 8

Esporte: Futebol.

Jogador de futebol: Zico. Beto o considera, além de bom jogador, disciplinado e bom exemplo.

Um filme: Não citou nenhum.

Hobby: Ir ao cinema com os filhos.

Um livro: Os Quatro Compromissos, de Don Miguel Ruiz. O livro, de autoajuda, trata da filosofia tolteca, um antigo povo indígena do México.

Prato preferido: Pizza.

Estilo musical: Eclético. Diz gostar de jazz, rock. Atualmente, está ouvindo música sertaneja.

Horas diárias de sono: Cinco horas, durante a campanha.

"Ética" é a palavra escolhida por Beto Richa (PSDB) para diferenciá-lo do principal adversário na disputa pelo Palácio Iguaçu. Em sabatina realizada ontem pela Gazeta do Povo, ele afirmou que Osmar Dias (PDT) tentou usá-lo durante as negociações para formalização das duas candidaturas. Citou datas e locais para tentar comprovar a ambiguidade do senador e ressaltou que ele teve "milhões" de razões para ter desistido de concorrer à reeleição na sua chapa.

Beto também partiu para o ataque contra a gestão Roberto Requião (PMDB). Ao mesmo tempo, não demonstrou constrangimento ao defender aliados envolvidos em escândalos como o ex-assessor Ezequias Moreira, cuja sogra foi funcionária fantasma da Assembleia Legislativa por 11 anos.

Sobre a maneira como se propõe a administrar o Paraná, prometeu seguir como modelo o governo Aécio Neves, em Minas Gerais, e enxugar gastos logo no começo do mandato para depois priorizar investimentos. Além disso, garantiu que irá escolher apenas nomes técnicos para a presidência das principais empresas públicas, como Copel e Sanepar.

Serviço:

A equipe sabatina hoje o candidato Osmar Dias (PDT). O conteúdo será publicado na edição de amanhã.

Participaram da sabatina os jornalistas André Gonçalves, Carlos Eduardo Vicelli, Celso Nascimento, Eduardo Aguiar, Fernando Martins, Oscar Röcker Netto, Rogério Waldrigues Galindo e Rosana Félix.

Acompanhe algumas das questões a seguir e clique no arquivo ao lado para baixar o PDF e ler todas as perguntas e respostas feitas ao candidato:

Caso o senhor venha a ganhar a eleição, dentro da atual configuração, o Paraná seria uma peça importante no jogo nacional para a oposição, como São Paulo e Minas Gerais. Como o senhor vê essa situação? O que isso pode trazer para o estado?

Não tenho receio nenhum em relação a isso. Mesmo porque eu já passei por essa situação. Governei Curitiba quase cinco anos e meio sendo de oposição ao governo do estado e ao federal. Passada a campanha, eu desço do palanque e cumpro a minha parte. Tanto é que um dos meus primeiros atos, quando eu assumi a prefeitura de Curitiba, foi procurar o Requião no Palácio Iguaçu. Propus para ele um bom entendimento, uma boa relação administrativa, que eu devo admitir que até tivemos inicialmente. Só que vocês conhecem o temperamento dele. Depois que eu me manifestei na campanha de 2006 (a favor de Osmar Dias), tivemos uma relação muito truculenta. Não por opção minha. O meu partido, como todo mundo sabe, é o maior opositor ao governo federal. Nem por isso deixei de celebrar parcerias em todas as áreas. Sempre que solicitei audiências os ministros me receberam. O presidente da República também. Posso garantir que Curitiba recebeu muitos recursos federais. Lanço um desafio: se o governador anterior, que sempre se diz amigo íntimo do presidente Lula, trouxe tanto recursos federais para o Paraná quanto eu trouxe para Curitiba. Em números per capita e, se bobear, até em absolutos. Não tem essa necessidade de ser amigo do presidente. Tem que ter projeto, planejamento.

O que o Paraná precisa fazer para ter um peso político maior do que tem hoje nacionalmente?

O governador exerce o maior cargo político do estado e precisa liderar esse processo. De forma democrática, agregar toda sociedade em torno de projeto de interesses do Paraná, em que todos serão beneficiados. Agregar também os representantes políticos. Nos últimos oito anos, me dizem os deputados federais, apenas uma vez o governador esteve reunido com a bancada. E eles me dizem: ‘a gente inveja, seguidamente governadores de outros estados estão reunidos com suas bancadas’. Isso é importante para exercer a pressão política necessária para atração de recursos, infraestrutura, incluir emendas importantes no orçamento da União. Esse trabalho de diálogo, espírito democrático, eu sempre tive. Tive um extraordinário relacionamento com toda sociedade ao longo do meu mandato aqui na capital. Foram boas parcerias na recuperação de espaços públicos. Uma relação de respeito e respeitando a independência da Câmara com os vereadores. Sem truculência, mas com diálogo e avanços importantes.

Então o senhor pretende transformar essas reuniões periódicas com a bancada no Congresso em um hábito?

Sim. Com transparência, com prestação de contas. As audiências públicas que eu promovi aqui em Curitiba eu quero promover em todo interior do estado. Meu pai fazia isso quando era governador e a população se sentia respeitada, atendida.

Pelas pesquisas mais recentes, o PT e os aliados devem eleger a maioria dos governadores e também o presidente. No Congresso Nacional também há essa tendência. No que a oposição errou durante esses oito anos de governo Lula?

Tem uma série de erros inegáveis. No mensalão, o presidente foi poupado. As pessoas mais próximas do PT e do governo foram indiciados por formação de quadrilha e ali se poupou o ataque direto a ele. Foi um erro. Outro talvez foi uma oposição mais contundente. Alguns fizeram, mas acho que não foi uma coisa coordenada, articulada pelos partidos. Na maioria das vezes o DEM foi muito mais contundente e articulado nas críticas do que o próprio PSDB. Por outro lado, é inegável o carisma do presidente da República, o alto índice de aprovação popular. Ele virou um mito, nada cola. Acho que há falta de competência da oposição, aliada a esse alto índice de aprovação do presidente.

Qual deve ser o posicionamento da oposição em um eventual governo Dilma?

Se o Serra não vencer a eleição – e é evidente que a gente torce e trabalha por isso – e a Dilma ganhar, a ação será muito diferente. Ela não tem o carisma do Lula, nem a mesma articulação. As coisas ficariam muito ruins para o país. Ela é muito mais vulnerável. Não tem autoridade para conter o ímpeto do Congresso Nacional, a volúpia do PMDB. Por essa fragilidade toda vai ser muito mais fácil fazer oposição ao governo Dilma.

Há quem diga que o Serra aparece pouco na sua campanha.

São críticas que acontecem no Brasil inteiro. Eu entreguei a condução da campanha (de televisão) para minha equipe de comunicação. É evidente que eu opino, mas eu estou a maior parte do tempo em campanha. Colocamos o Serra já várias vezes na televisão, com algumas aparições ou depoimentos mesmo. Eu assisti a apenas um programa de televisão, o resto eu não consegui. É uma estratégia. Também vi hoje no jornal que o Fernando Henrique também não aparece no programa do Serra. A maior preocupação é eu aparecer e mostrar as melhores soluções, alternativas, o que eu penso para o estado.

Qual a leitura o senhor faz das últimas pesquisas? Isso está alterando algo nessa reta final de campanha?

Olha, eu continuo com o mesmo ritmo de trabalho, que por sinal é muito intenso. Tenho andado todo estado do Paraná. Duvido que algum candidato a governador tenha a metade da agenda que eu tenho. Na sexta-feira, fiz 12 cidade em 16 eventos. Eu estou me baseando no que eu vejo nas ruas. Pesquisas têm metodologias diferentes, são uma montanha-russa, um dia sobe e no outro desce. Umas são mais confiáveis, outras nem tanto. Basta lembrar que nas últimas eleições para o governo do estado dois grandes institutos erraram muito acima da margem de erro. Por onde ando, é um espetáculo. Fico maravilhado da maneira tão carinhosa com que eu sou recebido, assediado nos eventos que tenho participado. Estou muito animado. Acredito piamente que podemos e vamos vencer a eleição no dia 3 de outubro. Apesar de todo o aparato do meu adversário, da campanha pesada que ele tem feito no último mês principalmente.

Sempre que pode o senhor evoca o nome do seu pai. Mas José Richa foi formador da elite política paranaense atual, inclusive dos seus rivais, tanto Osmar Dias quanto Roberto Requião. O senhor se apresenta como candidato da mudança, mesmo tendo essa mesma origem. Isso não é contraditório?

De forma alguma. Eu quero mudar o que está aí. Minha origem, minha formação política, não tem nada a ver com o que está aí. O meu adversário representa a continuidade. Para ele está tudo maravilhoso. De uma hora para outra, a Dilma virou a melhor candidata do mundo. Até uma semana antes da convenção ele esteve três vezes na casa do Serra, batia fortemente no governo Requião. Hoje considera o governo mais social, realizador e progressista que passou pelo Paraná. Eu represento a mudança, de conceito, estilo, de visão de se governar. Meu aprendizado não tem nada a ver com o governo que está instalado e que eu quero mudar.

O senhor critica a gestão do governador Requião, mas durante a campanha tem adotado alguns programas que foram criados nela, como o Leite das Crianças e a Tarifa Social de água. O senhor reconhece méritos no governo?

Alguns poucos. Inclusive meu adversário me criticou no último debate quando eu disse que iria manter, ampliar e aprimorar as coisas boas que a população aprova. Ele disse: "isso é nosso, nos pertence". Mas que barbaridade. É uma atitude no mínimo responsável do sucessor político manter as coisas boas. Se você pegar na minha campanha de 2004 você vai ver a mesma frase: "o que tem de bom em Curitiba eu vou manter, aprimorar e melhorar". O Armazém da Família tinha 20 mil atendimentos por mês e hoje são 200 mil. Tínhamos sete fornecedores, hoje são 400, com produtos de primeiríssima qualidade, 30% mais baratos. Outro exemplo foi o Mãe Curitibana. Ampliamos o atendimento. Construímos uma unidade especializada. Alcançamos a menor taxa de mortalidade infantil da história de Curitiba com um programa que não era meu, que herdei. E mantivemos a paternidade, não mudei o nome do programa. Não é possível que em oito anos no governo do estado ele não tenha sido feito nada de bom. Vou manter o Leite das Crianças, a Tarifa Social da água, vou ampliar limite de isenção do Luz Fraterna de 100 para 120 quilowatts, o Trator Solidário, o limite de isenção tributária para as micro e pequenas empresas, de R$ 360 mil para R$ 480 mil de faturamento anual. Tem coisas boas, que a população aprova e que eu vou manter. Mas também tem coisas muito ruins. A segurança pública é caótica, a saúde é precária, o estilo de governar, sem democracia, sem ouvir pessoas.

Na campanha pelo governo de 2002, o senhor declarou "não saio por aí dizendo que vou dar leite para as crianças", criticando o adversário Roberto Requião. O que mudou de lá para cá?

Ele entrou (na época) em uma guerra sobre esse tema com o Alvaro Dias. Eles diziam "vou dar um litro de leite, vou dar um litro e meio". Isso ocorreu em um debate na região Oeste. Aí eu disse: está um leilão enorme, daqui a pouco eles vão dar uma vaca para as crianças. Eu critiquei a maneira como estava sendo usado esse programa e a estratégia de ganhar voto em troca de um litro ou um litro e meio de leite. Mas foi um programa que foi bem aceito e eu vou manter.

O senhor falou bastante sobre o governo Requião e sua posição sobre ele. No entanto, a sua opinião sobre o governo Lerner...

Lerner já passou.

O senhor foi deputado estadual da base do Lerner, vice-prefeito de Cassio Taniguchi, que era do mesmo grupo. Foi candidato com o apoio do Lerner em 2002. Qual é a opinião sobre o governo dele?

O Lerner também apoiou o Osmar Dias nas últimas eleições. Eu quero deixar claro que a minha formação política não se deu com o Lerner. Eu aprendi dentro da minha casa, na vivência do dia-a-dia da boa prática política. Meu pai fazia política com muita intensidade. Agora, pertenci à base, meu partido apoiou o Jaime Lerner desde 1994. Mas nunca violentei a minha consciência. Tem coisas que eu não concordei e não votei a favor. O Lerner, de certa forma, também foi satanizado pelo governo que o sucedeu. Tudo o que tinha de ruim no estado era atribuído a ele. Não tenho relação nenhuma política com o Lerner.

Que governo foi melhor, Lerner ou Requião?

Ambos tiveram erros e acertos. O Lerner promoveu em um momento importante a industrialização do estado. Pecou na parte política, que o outro tem uma habilidade enorme no verbo. O governo (Requião) foi sustentado muito mais no discurso do que na ação. Esses programas sociais foram bons, mas em termos de infraestrutura o Paraná regrediu muito. Veja o que aconteceu, por exemplo, na saúde, na segurança pública, nas rodovias, aeroportos, ferrovias, o pecado que aconteceu no porto de Paranaguá, o pedágio. Eu quero ter um governo realizador.

Nos últimos anos, houve duas denúncias contra o senhor, o caso que ficou conhecido como "Sogra Fantasma" (a sogra do chefe de gabinete de Beto na Assembleia, Ezequias Moreira, foi funcionária fantasma da Casa por 11 anos) e o do "Comitê Lealdade" (suposta compra de apoio de dissidentes do PRTB nas eleições municipais de 2008). Depois houve outro, não diretamente ligado ao senhor, que é o dos diários secretos da Assembleia Legislativa. Como o senhor vê sua ligação com esses dois casos? Como governador, como pretende trabalhar contra esse tipo de situação?

Em relação ao problema da sogra, já foi esclarecido. Foi um problema de um assessor meu com a direção da Assembleia Legislativa. Eu não tive participação alguma nisso. Ele reconheceu o seu erro e pagou a sua conta com a sociedade. Acho, nesse aspecto, nobre da parte de dele. Eu cito até um ditado bíblico: "perdoo o pecador, mas não perdoo o pecado". Tanto é que ele foi na época desligado da nossa equipe, pagou sua conta com a sociedade. Que bom seria se os mensaleiros devolvessem os milhões e milhões de reais que foram desviados dos cofres públicos.

Mas o caso da "Sogra Fantasma" mudou de alguma forma a maneira como o senhor escolhe os seus assessores?

Não mudou, até porque o Ezequias nunca teve problema nenhuma. Trabalhou com o Alvaro Dias, com o Waldyr Pugliesi, com uma dezenas de políticos e nunca teve um desvio de conduta. Sempre foi uma pessoa correta, uma pessoa séria. Não sei bem o que houve até hoje nesse caso, mas envolveu uma oferta de um diretor da Assembleia para um cargo. Ele colocou a sogra, mas reconheceu o seu erro e pagou a sua conta. Agora, para quem militou a vida inteira na vida pública, quem esteve no poder, trabalhou com meu pai no Palácio Iguaçu, com o Alvaro, foi da militância jovem do PMDB, foi o único pecado que ele cometeu e reconheceu. No mínimo foi digno da parte dele agir dessa forma.

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