Alunos realizam eleição na Cidade Mirim do Colégio Opet: campanha eleitoral, urna emprestada pelo TRE e responsabilidade dos eleitos | Divulgação / Opet
Alunos realizam eleição na Cidade Mirim do Colégio Opet: campanha eleitoral, urna emprestada pelo TRE e responsabilidade dos eleitos| Foto: Divulgação / Opet

Estudantes do CEP podem conquistar eleição

O Colégio Estadual do Paraná é um dos poucos da rede estadual que ainda não tem consulta pública direta para a escolha do diretor. Mas esta realidade está próxima de ser mudada. Tramita na Assem­­bleia Legislativa um projeto de lei que pode permitir o processo eleitoral para escolha do cargo.

A tramitação do projeto foi possível após a união de estudantes e professores no movimento Pró-Democracia, iniciado em 2007. A mobilização culminou na troca da direção do Colégio, no início deste ano. No dia 31 de março, cerca de mil estudantes deram um abraço simbólico em torno do prédio do colégio. De acordo com um dos in­­te­­grantes do movimento Gabriel de Araújo Carriconde a democracia deve ser aprendida na escola. "O maior colégio público do Pa­­raná tem de ser exemplo de gestão democrática", afirma.

Na opinião do professor de His­­tória Rubens Tavares, que também participa do movimento, a escola é um espaço de aprendizagem. "Quando os jovens são chamados a participar, eles dão exemplo para a sociedade", diz.

Tatiana Duarte

Escolhas

Várias ações que ocorrem nas escolas envolvem a participação da comunidade:

Representantes de turma

É a escolha de um representante para cada sala de aula. A votação é direta e ocorre geralmente em escolas públicas e privadas. O escolhido será o interlocutor entre a turma e a escola.

Grêmio estudantil

Representa os estudantes do ensino fundamental e médio. Pode existir em instituições públicas e privadas. Sua organização está regulamen­­ta­­da pela Lei do Grêmio Livre. A forma­­ção independe da vontade da dire­­ção e pode ser convocada por assem­­bleia geral entre os estudantes.

APM

É a associação de pais, professores e funcionários da escola. Mais comum ocorrer em escolas públicas do que nas privadas. A legislação brasileira impõe a existência da APM para repasse de recursos às escolas.

Conselho de Escola

Auxilia a gestão financeira, administrativa e pedagógica da instituição. O diretor da escola, que é presidente da instituição, deve convocar eleições a cada dois anos. Deve ter representantes de pais, alunos, professores e funcionários.

Eleição de diretores

Depende de cada gestão escolar decidir ou não pela consulta pública para escolha de seus diretores. Nas escolas municipais de Curitiba e em grande parte dos colégios da rede estadual do Paraná a consulta ocorre a cada dois anos.

É na escola que desde pequenos eles fazem escolhas. Votam no representante de turma, elegem os representantes do grêmio estudantil e com o passar dos anos, podem até ajudar a escolher quem vai dirigir o local onde estudam. E as ações que envolvem o voto nem sempre estão restritas aos estudantes. Em alguns casos, principalmente nas escolas públicas, pais, professores e alunos se organizam para escolher até mesmo o diretor da escola.

Há escolhas que começam bem cedo. No Colégio Opet, em Curitiba, desde os pequeninos da educação infantil até os alunos da 4.ª série do ensino fundamental, elegem todos os anos os responsáveis em gerir a Cidade Mirim, que funciona dentro da escola. O espaço existe há 20 anos e conta com Prefeitura, Câmara de Vereadores, Fórum e outros espaços públicos onde os estudantes aprendem a exercer a cidadania.

A eleição tem campanha por parte dos candidatos na rádio da cidade e conta até com distribuição de "santinhos". Só não vale boca de urna. Na hora dos votos, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) empresta urnas eletrônicas usadas nas eleições em Curitiba. Os eleitos são diplomados no próprio Tribunal.

De acordo com a gestora da educação e ensino fundamental do Colégio Opet, Sônia Sillas, é na escola que as pessoas aprendem a votar. "Aqui pode parecer brincadeira, mas os alunos se envolvem e participam de maneira consciente. E os menores contam com o auxílio dos pais e professores. Depois lá na frente eles estarão mais preparados para fazer suas escolhas", afirma.

A prefeita da Cidade Mirim, Marina Prata, 10 anos, tem consciência do peso do cargo que ocupa. Duas vezes por semana, no horário do recreio, vai ate à Prefeitura e toma decisões, auxiliada pela vice-prefeita, Natália Abe, 9 anos. Quando o expediente na Cidade Mirim não dá conta das demandas as duas despacham por telefone. Atualmente o esforço das duas está concentrado no aluguel de um pônei para a Festa Junina da cidade. "Foi uma das nossas propostas de campanha. Estamos tentando colocar em prática", diz a prefeita.

Ao redor da prefeita, os cidadãos dizem estar de olho em suas ações e prometem cobrar as propostas feitas durante a eleição. Para Guilherme Silva, 10 anos, que vota desde a educação infantil, a experiência é válida. "Aprendi a ser cidadão. Quando eu tiver que votar mesmo vou saber que é preciso prestar atenção nas propostas dos candidatos. Um candidato mal escolhido pode piorar as coisas ao invés de melhorar", afirma.

Voto é coisa séria

Mesmo em instituições onde não há uma minicidade, o voto é levado a sério. No Colégio Dom Bosco, os representantes de turma e do Conselho de Alunos, da 5.ª série ao 2.º ano do ensino mé­­­­dio, tomaram posse na quarta-feira da semana passada. De acordo com a orientadora pedagógica Francisca Fauw, o processo eleitoral simula uma eleição de verdade. Como o voto é secreto, cabines de votação são em­­prestadas pelo TRE. Além disso, os candidatos precisam montar seus currículos e propostas. "Os grandes líderes de nossa sociedade começaram na escola. Temos de abrir este espaço para que os jovens aprendam a exercer sua cidadania", diz.

No Colégio Bom Jesus Centro a escolha de representantes de turma ocorre da 4.ª a 7.ª série. O professor de empreendedorismo Deyverson Wichinewski foca o processo na questão da liderança. "Muitos querem ser candidatos. Salientamos a questão da responsabilidade e importância do voto", diz.

Públicas

Nas escolas municipais que oferecem ensino de 5.ª a 8.ª série há escolha para os representantes do Grêmio Estudantil. Na eleição da Escola Municipal Herley Mehl, as urnas eletrônicas também são emprestadas pelo TRE. De acordo com a vice-presidente do Grêmio, Welita Machado de Oliveira, 14 anos, no processo eleitoral houve até troca de informações com outras escolas. "A nossa responsabilidade é grande porque os estudantes cobram bastante", diz.

Em 898 das 2.100 escolas existentes na rede estadual de ensino há grêmio estudantil atuando. De acordo com a coordenadora de gestão escolar da Secretaria de Estado da Edu­cação, Elisane Fank, as escolas vivem um momento de retomada dos grêmios estudantis. "O grêmio não é uma concessão por parte do diretor, mas um direito por parte dos estudantes. Os próprios estudantes devem exigir a formação desta instituição", afirma.

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Interatividade

O exercício do voto nas escolas cria cidadãos mais conscientes e participativos?

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