
A maior participação da sociedade na política é um mecanismo ainda mais eficaz para o fortalecimento da democracia do que as alterações no jogo eleitoral. Esse argumento foi sustentado por vários especialistas que estiveram em Curitiba recentemente, durante o II Congresso da Rede de Participação Política, e discutiram os prós e contras do voto distrital misto, sem chegar a uma conclusão.
O presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures um dos anfitriões do evento , defendeu a implantação do voto distrital misto como a melhor forma de promover maior representatividade parlamentar. "Em vista da fragilidade e do mau funcionamento dos partidos, também há um mau funcionamento da representação popular. Por conseqüência, nossa democracia funciona mal. Se fazem necessárias mudanças institucionais."
O professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleisher diz que o modelo misto seria mais fácil de ser adaptado para a realidade brasileira. Ele defende a lista fechada com voto desvinculado, ou seja, a possibilidade de se votar em partidos distintos.
O voto distrital misto também é defendido pelo jurista René Dotti. Mas ele ressalta que a participação popular é um grande passo para iniciar a reforma política. Dotti deu como grande exemplo o projeto de iniciativa popular que resultou na "extraordinária Lei da Ficha Limpa", aprovada neste ano.
O cientista político Lúcio Rennó, professor da UnB, explicou que é preciso estudar o efeito antecipado das reformas políticas antes de serem aplicadas as mudanças, analisando qual a melhor proposta de alteração no sistema eleitoral brasileiro. "Lista aberta e lista fechada interferem na relação do representante com o eleitor", observou ele, que discorda do voto distrital misto.
Rachel Meneguello, cientista política e professora na Unicamp, tem essa mesma opinião. Ela disse que a engenharia necessária para implantar o voto distrital misto no país requer métodos difíceis de serem adotados. Para ela, a mudança necessária deverá começar pela representação popular. "Nós temos dispositivos que funcionam bem. São necessários canais variados para motivar as pessoas na política. Deveríamos aproveitar muito mais esses mecanismos."







