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Comício de Requião na Vila São Pedro, em 20 de outubro de 1985: peemedebista largou com 18% das intenções de voto contra 40% de Lerner. Mas conseguiu a virada | Arquivo/ Gazeta do Povo
Comício de Requião na Vila São Pedro, em 20 de outubro de 1985: peemedebista largou com 18% das intenções de voto contra 40% de Lerner. Mas conseguiu a virada| Foto: Arquivo/ Gazeta do Povo
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Notícias da época

Veja o que foi notícia na Gazeta do Povo na época da eleição de 1985:

2 de setembro – Dalton Trevisan, contista reconhecido, estourou com a publicação do romance A Polaquinha.

14 de setembro – A superinflação seguia a toda. As donas de casa de Curitiba programaram uma reunião para discutir um boicote à venda de carne, que estava com os preços nas alturas.

21 de setembro – O Bamerindus inaugura a 906ª agência, se consolidando como o terceiro maior banco privado do país. O jornal trazia ainda o anúncio colorido da loja "Malucelli da Visconde", com o slogan: "Vende tudo, do piso ao teto". Outras grandes lojas que anunciavam naquela época e que hoje não existem mais eram a Arapuã ("ligadona em você"), HM, Muricy, Prosdócimo e Mesbla.

23 de setembro – O Movimento em Defesa do Colorado publicava nota pedindo doações de dinheiro para o clube, que vivia maus momentos. Quatro anos depois, o Colorado se fundiu com o Pinheiros e deu origem ao Paraná Clube.

9 de outubro

O filme Rambo II já havia rendido US$ 146 milhões com a bilheteria. Outros filmes em cartaz eram Blade Runner, Loucademia de Polícia 2 e Amadeus.

10 de outubro – Confirmação do terceiro caso de aids em Curitiba. As causas da doença ainda eram incertas. Dias antes, a morte do galã norte-americano Rock Hudson, vítima do HIV, havia espalhado pânico entre as estrelas do cinema de Hollywood.

24 de outubro – A modelo Xuxa apresentaria naquela noite o evento Glamour Girl, do colunista Dino Almeida, da Gazeta do Povo. Também confirmaram presença os atores José Lewgoy, Ilka Soares e Moacyr Deriquém.

27 de outubro – O jornal The New York Times apelidou o Paraná de "estado Halley", pela localização privilegiada para observar o cometa que estaria visível do fim de 1985 a 1986. A passagem do cometa, porém, foi tímida.

10 de no­­­vem­­­bro

O su­­ple­­mento Revista da Tevê da Gazeta do Povo antecipava os acontecimentos da novela Roque Santeiro. Também estavam no ar A Gata Comeu e Ti Ti Ti. O Cassino do Chacrinha agitava as tardes de sábado.

11 de novembro – O Atlético era o novo campeão paranaense. O Coritiba, campeão brasileiro daquele ano, olhava para o futuro: "O que importa é a Libertadores".

Richa trabalhou muito para eleger Requião. De manhãzinha, das 6 às 8 horas, o governador do Paraná acompanhava o peemedebista nas visitas a terminas de ônibus e bairros da periferia. A vitória de Requião nas urnas representou uma conquista pessoal de Richa.

VÍDEO: Confira o depoimento do mesário mais antigo do BrasilFOTOS: Veja fotos e charges das eleições de 1985

Esse é um resumo do que ocorreu em Curitiba em 1985, na eleição para prefeito, a primeira pelo voto direto desde 1962. O então governador José Richa, do PMDB, dedicou-se bastante para eleger o correligionário Roberto Requião. Bateram o favorito daquele pleito, Jaime Lerner, que concorria pelo PDT, com o apoio de Leonel Brizola, governador do Rio de Janeiro e liderança nacional.

A disputa entre os dois candidatos foi muito acirrada. Lerner era o favorito e tinha no currículo uma série de realizações dos perío­dos em que já havia sido prefeito de Curitiba – de 1971 a 1975 e de 1979 a 1983. Mas, largando na frente nas pesquisas, com 40% das intenções de voto, Lerner virou alvo prioritário dos outros candidatos.

Os peemedebistas se colocavam como a opção para o futuro. Por isso até recusaram o apoio do PCB, que desistiu da candidatura própria no meio da campanha. Os comunistas, Brizola e Jaime Lerner – que havia sido prefeito duas vezes por indicação do governo militar – eram as "forças do passado", que tinham um "plano de desestabilização nacional", nas palavras de José Richa, pai do atual governador, Beto Richa.

O jogo foi duro. No fim de setembro, a vantagem de Lerner sobre Requião, que era de 40% a 18%, caiu para 38% a 26%. Um mês antes do pleito, a Gazeta noticiou o empate dos dois, com 37% cada. No fim de outubro ocorreu a virada do peemedebista: 42% a 37%.

Lerner e sua trupe não aceitavam a pesquisa feita pelo Instituto Gallup. A participação popular em um comício realizado em 30 de outubro na Boca Maldita, com a presença de Brizola, animou os correligionários. "Esse comício é a nossa pesquisa, tabulada na alma do povo e impressa no calçadão da Rua das Flores", declamou o então vereador Rafael Greca, na época fiel escudeiro do pedetista.

Mas, fora as frases de efeito, nem tudo eram flores. Lerner reclamava das dificuldades que estava enfrentando, devido ao "ostensivo uso da máquina do governo." O governador José Richa deu o troco ao se licenciar do cargo no começo de novembro. Richa até conseguiu na Justiça o direito de responder às acusações usando o horário eleitoral. As denúncias de um lado contra o outro começaram a lotar as páginas da Gazeta do Povo.

A tensão chegou ao ápice dois dias antes do pleito, quando a Polícia Federal apreendeu cerca de 100 mil panfletos apócrifos. Parte do material relatava desentendimentos entre Richa e Tancredo Neves, já falecido. O restante eram cópias de um suposto edital da prefeitura anunciando que a tarifa de ônibus teria um reajuste imenso no mês seguinte: de 700 cruzeiros passaria para 1.200 ou 5.000, dependendo do trecho. À época, a prefeitura era comandada por Maurício Fruet, peemedebista como Requião.

A impressão teria sido feita a pedido do PDT. De todo o modo, não chegou às mãos do eleitorado. Sem a assombração de um tarifaço nos ônibus, os curitibanos votaram em Requião em 15 de novembro. A margem foi pequena (227.248 votos contra 208.364), mas suficientes para a vitória do PMDB. Desta vez.

Poucos partidos tiveram direito ao horário eleitoral

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu que o horário eleitoral no rádio e na tevê seria de uma hora diária, em blocos de meia hora, no início da tarde e à noite. Na primeira parte, o tempo foi dividido de forma igualitária entre todos os candidatos. No horário no­­­­bre, entretanto, apenas tinham vez os candidatos de partidos com repre­­­sentação na Câmara Muni­­­cipal.

Em Curitiba, a semente do pluripartidarismo não havia encantado os eleitores na votação para vereador, em 1982. Das 33 cadeiras, 22 eram do PMDB e 11 do PSD, sucessor da extinta Arena (assim como o PFL). Trocas de partido nos anos seguintes deram um pequeno fôlego para Jaime Lerner, da coligação PDT-PFL, ficar com 4 dos 30 minutos do horário eleitoral noturno. Paulo Pimentel (PDS) teve direito a 6 minutos. Roberto Requião, com a força do PMDB, abocanhou 20 minutos.

Nessa divisão, PT, PTB, PDC, PH e PCB (que posteriormente desistiu do pleito), ficaram de fora da propaganda na hora da noite, o de maior audiência. Como eram legendas sem expressão à época, mal tinham recursos para fazer o programa diurno.

A votação ocorreu no dia 15 de novembro. O voto ainda era no papel, mas a contagem já tinha um apoio tecnológico. A apuração de 1985 foi feita em um galpão do terminal de ônibus Capão Raso, com o auxílio de 12 computadores e 5 impressoras. Com isso, o resultado já se tornou conhecido na madrugada do dia 16, por volta das 3 horas, e naquela manhã já estava impresso na capa da Gazeta do Povo.

Interatividade

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As histórias selecionadas serão publicadas em www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/memoria

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Sem categoria | 4:03

José Carlos Mello Rocha atua como voluntário desde as eleições de 1950 e pretende repetir a dose em 2012, quando chega aos 81 anos. A experiência acumulada o levou a defender o fim do voto obrigatório. Para ele, a escolha seria mais consciente.

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