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A vitória do coração curitibano

1988: Os 12 dias que viraram 12 anos no poder

Numa campanha de menos de duas semanas, Jaime Lerner conquistou em 1988 quatro anos de mandato na prefeitura. Gestão municipal o credenciou para outros oito anos como governador

  • Rosana Félix
Jaime Lerner ao lado de Algaci Túlio, que desistiu de concorrer a prefeito e acabou virando vice. Outros dois candidatos – Enéas Faria e Aírton Cordeiro – também deixaram a disputa em favor de Lerner. O então candidato do PDT venceu o peemedebista Maurício Fruet com 48,5% dos votos contra 29,4% |
Jaime Lerner ao lado de Algaci Túlio, que desistiu de concorrer a prefeito e acabou virando vice. Outros dois candidatos – Enéas Faria e Aírton Cordeiro – também deixaram a disputa em favor de Lerner. O então candidato do PDT venceu o peemedebista Maurício Fruet com 48,5% dos votos contra 29,4%
 
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Jaime Lerner é um arquiteto mundialmente reconhecido pelos seus projetos inovadores. Mas foi sua ousadia política que lhe garantiu um grande espaço na história recente do Paraná. Em 1988 ele causou uma reviravolta ao entrar na disputa pela prefeitura de Curitiba faltando menos de duas semanas para a eleição, marcada para 15 de novembro. Foi a famosa campanha dos 12 dias, que acabaram proporcionando a Lerner um período de 12 anos no poder – quatro como prefeito (1989-1992) e oito como governador do estado (1995-2002).

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FOTOS: Veja fotos e charges das eleições de 1988

Lerner, então no PDT, perdera a eleição de 1985 para Roberto Requião, do PMDB. Naquela época, os peemedebistas carregavam a esperança da redemocratização após o período da ditadura militar. A legenda, que tinha em Ulysses Guimarães sua grande estrela, também conseguiu muitos votos Brasil afora em 1986, na escolha dos governadores. Mas, em 1988, o cenário mudou. A inflação galopante e a desconfiança dos trabalhadores em relação à nova Constituição Federal desgastaram o PMDB.

Os peemedebistas Alvaro Dias, no governo do Paraná, e Requião, na prefeitura de Curitiba, trabalhavam para eleger o correligionário Maurício Fruet, na época deputado constituinte e ex-prefeito da capital (1983-1985). Mas cada um tinha problemas sérios para lidar. Alvaro ficou marcado pela ação policial que dispersou uma manifestação de professores estaduais no Centro Cívico. Requião enfrentava a ameaça de motoristas e cobradores de ônibus, que ensaiavam uma greve para antes da eleição – o que acabou ocorrendo só depois.

No início de setembro, o candidato do PMDB até liderava com folga, com 28% das intenções de voto. O concorrente mais forte era Algaci Túlio (PDT), com 20%. Atrás, apareciam Enéas Faria (PTB), com 12%; Aírton Cordeiro (PFL), com 5%; e Claus Germer (PT), com 3%.

Os índices não mudaram muito nas semanas seguintes. Mas, no fim de outubro, surgiu a notícia que mudaria a história da eleição. Em 26 de outubro, o então deputado federal Paulo Pimentel soltou a bomba: ele participou de uma reunião que previa que os três candidatos da oposição – Algaci, Enéas e Airton – renunciariam em favor de Jaime Lerner. Algaci não quis comentar o assunto, mas os outros dois negaram veemente a renúncia. Os dias seguintes mostraram que Pimentel falara a verdade.

Domicílio carioca

A candidatura de Jaime Lerner tinha um grande obstáculo: ele havia transferido o domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro em 5 de fevereiro, e não o mudou de volta a tempo de registrar a candidatura em Curitiba. A Justiça Eleitoral de primeira instância e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negaram o retorno do título de Lerner para Curitiba. O recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, foi favorável ao pedetista.

No dia 1.º de novembro foi definido que Algaci renunciaria da candidatura para ser vice na chapa do novo candidato. No dia 5, foi a vez de Aírton Cordeiro desistir. O último a sucumbir foi Enéas Faria, no dia 7.

O PMDB tentou desmoralizar a união das oposições. “Todos eles garantiram publicamente que jamais haviam pensado em renunciar e que isto só aconteceria se eles morressem. Temos agora três mortos-vivos, com renúncias patrocinadas por grupos econômicos que não desejam o avanço político e social, mas a volta da política de compadrio, das benesses e da corrupção”, afirmou Fruet em comício na Praça Rui Barbosa para cerca de 50 mil pessoas.

Mas o curto período da campanha de Lerner – 12 dias – acabou sendo uma vantagem: não houve tempo suficiente para ele se desgastar; apenas para a população se encantar com as palavras do arquiteto e urbanista. O mote da campanha de 85, o “Coração Curitibano”, lançado pelo publicitário Sérgio Mercer, foi reeditado. E, desta vez, saiu vitorioso. Lerner obteve 48,5% dos votos contra 29,4% de Fruet.

Cenário de 1988 PMDB teve desgaste nacional

Para quem não viveu aquela época, é difícil imaginar o que era uma inflação de 980%. Pois foi esse o índice de reajuste de preços no Brasil em 1988. A hiperinflação, que perdurou mais alguns anos, foi um dos motivos que derrubaram o PMDB naquele ano. O partido, que dominara o Brasil nas eleições de 85 (prefeito e vereadores) e 86 (governadores, deputados e senadores), foi derrotado em várias capitais.

O PT teve uma grande ascensão ao conquistar a prefeitura de São Paulo, com Luiza Erundina, e a de Porto Alegre, com Olívio Dutra. Mas a legenda não era fundamental: o importante era ser da oposição. O desgaste do PMDB era tão grande que, finda as eleições de 1988, o partido queria “romper” com o governo de José Sarney.

Muitas pessoas estavam descontentes também com a Constituição de 1988, promulgada em 5 de outubro. Os trabalhadores, impressionados pelo discurso do líder Luiz Inácio Lula da Silva, deputado constituinte, concluíram que foram poucos os avanços sociais. Enquete feita pela Gazeta do Povo na época comprovou a desconfiança.

Outro acontecimento negativo envolvendo Sarney foi a ação do Exército, que em 9 de novembro ocupou a sede da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda (RJ), para retirar os 10 mil grevistas do local. A ação resultou na morte de três operários.

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