Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Vida Pública
  3. Eleições
  4. Eleições 2012
  5. Memória
  6. 1996: Taniguchi perpetua a república do Ippuc

técnico

1996: Taniguchi perpetua a república do Ippuc

Sucessor de Greca na prefeitura foi presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. Ele contava com o apoio do então governador Jaime Lerner, que também presidiu a instituição

  • Rosana Félix
O prefeito eleito Cassio Taniguchi e o vice, Algaci Tulio, juntos com Lerner, Greca e familiares |
O prefeito eleito Cassio Taniguchi e o vice, Algaci Tulio, juntos com Lerner, Greca e familiares
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

1996: Taniguchi perpetua a república do Ippuc

A república do Ippuc foi mais uma vez vitoriosa na corrida pela prefeitura de Curitiba. Em vez de um político de carteirinha, mais um ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba assumia o Palácio 29 de Março. Em 1996, o aclamado da vez foi Cassio Taniguchi, então com 55 anos, formado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Mas o que importava para o eleitor era o fato de Cassio ser o candidato apoiado pelo governador do Paraná e pelo prefeito da capital à época – Jaime Lerner e Rafael Greca, respectivamente.

Veja mais imagens da eleição de 1996

Assista ao depoimento sobre a implantação da urna eletrônica em Curitiba

Como quase sempre, os políticos em Brasília caprichavam nos escândalos. Em 1992, o esquema PC havia varrido Collor do Planalto. No ano seguinte, veio à tona o caso dos anões do Orçamento. Lerner, também oriundo do Ippuc, explorava a situação, e priorizava o discurso técnico sempre que havia chance.

Já em 1992, no último ano de seu mandato na prefeitura, Lerner , um técnico, pretendia ter Taniguchi como seu sucessor. Mas Rafael Greca, que era deputado estadual, furou a fila ao conquistar as bases do PDT, legenda que abrigava o trio.

A “paciência” de Tanigu­chi lhe rendeu frutos – agora ele podia se apresentar como o técnico responsável pelas obras não de apenas um prefeito, mas de dois. A propaganda eleitoral do partido mostrava Lerner e Greca, citando realizações deles na gestão de Curitiba, e indicava que o candidato estava por trás de todas as obras que havia na cidade. “Havia uma outra pessoa que também fazia, mas você não sabia. Cassio Taniguchi. Você não sabia, mas era ele que também fazia”, proclamava o horário eleitoral do PDT.

A alta aprovação popular de Greca – 61,5% consideravam a administração ótima ou boa – indicava que os eleitores queriam continuidade. E ela veio, sem muita dificuldade. Taniguchi, um técnico desconhecido, venceu a disputa em primeiro turno, com 54,7% dos votos válidos. O segundo lugar ficou com Carlos Simões (PSDB), com 30,3% dos votos, seguido por Angelo Vanhoni (PT), com expressivos 10,9% dos votos. Ele ultrapassou Max Rosenmann (PMDB), que fez apenas 2,5% dos votos válidos.

Urna eletrônica

A grande novidade eleitoral daquele ano foi o uso da urna eletrônica nas 57 cidades com mais de 200 mil eleitores. Havia um temor de que o número de votos nulos fosse muito alto, pela dificuldade dos eleitores em usar corretamente o novo equipamento. Os resultados mostram que não houve nenhum problema do tipo. O índice de votos nulos (6,2%) e brancos (1,4%) foi inferior ao de 1992 (8% e 8,5%), quando ainda havia a cédula de papel.

A tecnologia venceu. Mas a vitória de Taniguchi, descobriu-se depois, foi especialmente saborosa. Ele e os outros prefeitos eleitos em 1996 foram os primeiros a ter a chance de disputar a reeleição. Mas essa história fica para a próxima.

Obras e propaganda

“Exemplo nacional, referência internacional”

Não era nada fácil competir com a república do Ippuc. Seja pelas obras ou pela propaganda, a gestão técnica e urbanística de Curitiba ganhava notoriedade. Por exemplo: em 29 de setembro de 1996, a Gazeta do Povo publicou, como em todos os domingos, uma página produzida pelo cartunista e escritor e – agora saudoso Millôr Fernandes – que resumia como a cidade passou a ser vista. Contava ele que no início dos anos 70, o pessoal do Pasquim, ele inclusive, sempre que falava de Curitiba tirava um sarro ao dizer que “ritiba” significava “do mundo”. Isso, antecedido da primeira sílaba do nome da cidade, não era nada aprazível.

Millôr, com seu humor particular, dizia que as coisas haviam mudado. “Depois de três administrações do Lerner [71-75, 79-84 e 89-92] e uma de Greca, a referência seria impossível. Curitiba, de c* do mundo, passou a ser exemplo nacional e preferência internacional.” Ele chamou a atenção para o “sincretismo étnico-político” ocorrido na cidade, que “elegeu Lerner, um judeu, Greca, um italiano (ou quase) e agora elege um japonês”. Mas ele fazia sugestões para o futuro. “Espero que essa dinastia continue e, da próxima vez, eleja um negro. De preferência, mulher. Se possível lésbica”, completa.

(function(d, s, id) { var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0]; if (d.getElementById(id)) {return;} js = d.createElement(s); js.id = id; js.src = "//connect.facebook.net/pt_BR/all.js#appId=254792324559375&xfbml=1"; fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs); }(document, 'script', 'facebook-jssdk'));
]]>Tweet

Memória das eleições curitibanas | 6:53

1996: a urna eletrônica chega pra ficar

O coordenador de comunicação do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, Marden Machado, que participou do processo de implantação da urna eletrônica em 1996, relembra dos desafios e do esforço do órgão para esclarecer a novidade à população.

VER MAIS VÍDEOS

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE