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Gleisi: promessa ainda não cumprida | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Gleisi: promessa ainda não cumprida| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

A prestação de contas da candidata Gleisi Hoffmann (PT), de 2006, quando ela se candidatou ao Senado, mostra que uma empresa envolvida em denúncia de irregularidades com o governo federal, comandado pelo mesmo PT de Gleisi, foi uma das maiores doadoras para a campanha da petista. Nesta lista, ainda estão instituições financeiras (bancos e bolsas de valores e de mercadorias).

Nesta eleição para a prefeitura de Curitiba, a identidade dos doadores da candidata por enquanto não foi revelada. O entendimento dos coordenadores da campanha de Gleisi é de que essa divulgação poderia deixar doadores receosos. Mas, no último dia 9, durante a sabatina realizada pela Gazeta do Povo, Gleisi afirmou que os nomes de seus financiadores seriam anunciados antes da votação, no domingo. Até agora, Gleisi foi a candidata que declarou à Justiça Eleitoral ter mais arrecadado, R$ 3,2 milhões.

O levantamento dos doadores da campanha de Gleisi em 2006, porém, mostra que a empresa que mais doou foi a Construtora OAS (R$ 100 mil). A empresa é a terceira em obras do governo federal com índicios de irregularidades, segundo relatório do Tribunal de Contas a União (TCU) de 2007. Outra suspeita envolvendo a OAS foi a denúncia de que um integrante do Congresso recebeu R$ 2 milhões da construtora para bancar uma emenda que facilitaria a criação dos portos privados no Brasil.

As instituições financeiras que doaram para Gleisi foram o Banco Itaú, Unibanco, BM&F e Bovespa. Juntos, essas instituições doaram a Gleisi R$ 135 mil. A candidata adiantou, na sabatina da Gazeta do Povo, que o Banco Bradesco atualmente financia sua campanha. "Não colocamos os nomes dos financiadores no site ainda? Não há determinação de não colocar, vamos fazer isso, antes da votação do 1º turno. Mas já posso adiantar alguns deles: o PT nacional, pessoas físicas, o Banco Bradesco. Vamos colocar a lista no site", afirmou Gleisi na ocasião.

Na relação de doadores da campanha de 2006, também está Zeno Minuzzo, apontado como um dos responsáveis por um possível caixa dois na campanha à prefeitura de Londrina de Nedson Micheleti, também do PT, em 2004. Na época, dois funcionários da campanha confirmaram à Polícia Federal que receberam recursos não declarados oficialmente.

Segundo o coordenador geral desta campanha de Gleisi, André Passos, houve a denúncia do caixa dois na campanha de Micheleti, mas nenhuma comprovação. "Em 2005, houve conjunto de denuncismos contra o PT", afirma. "Vários adversários do PT tentaram criar fatos no Brasil todo."

Prestação aprovada

A coordenação de campanha de Gleisi alega que todas as doações recebidas na campanha de 2006 foram feitas e contabilizadas de acordo com a legislação eleitoral. "Além de pessoas físicas, nossos doadores de campanha são pessoas jurídicas legítimas, legalmente constituídas e em plena atividade. Muitas delas, inclusive, fizeram doações para várias outras campanhas eleitorais. Não temos responsabilidade sobre qualquer eventual polêmica envolvendo nossos doadores, especialmente em fatos que não envolvem nossas campanhas", diz nota enviada pela assessoria de Gleisi à reportagem. A coordenação informou ainda que a prestação de contas da campanha de 2006 foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral, sem qualquer ressalva. "A legislação permite que as empresas doem. O errado é pedir algo em troca", conclui Passos. (BMW)

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