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Atualizado em 24/10/2006 às 22h26

O Ministério da Defesa informou nesta terça-feira que foi encontrado o cilindro de voz do Boeing 737-800 da Gol, que caiu dia 29 de setembro no norte do Mato Grosso, matando 154 pessoas. O equipamento contém os diálogos da tripulação. Segundo nota do ministério , a caixa, que está preservada e não apresenta danos aparentes, será levada para análise no Canadá no próximo sábado para ser aberta na segunda-feira. Prosseguem as buscas dos restos mortais da única vítima ainda não localizada da maior tragédia da aviação comercial brasileira.

Apesar disso, a Aeronáutica informou à Polícia Federal que não poderá passar ao delegado Renato Sayão as informações sobre as caixas pretas e nem o resultado da perícia nos equipamentos do Legacy, como o transponder e o rádio de comunicação. Segundo a Aeronáutica, a legislação militar determina que os dados das investigações sobre acidentes aéreos não podem ser usados na eventual punição aos envolvidos no desastre. O delegado mandou uma representação à Justiça Federal pedindo que a Aeronáutica seja obrigada a liberar as informações.

O equipamento estava cerca de 20 centímetros abaixo da terra e foi encontrada pelos detectores de metal usados pelo Batalhão-Escola de Engenharia do Exército. Segundo nota do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), sete aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) trabalharam durante todo o dia no local do acidente, apesar da chuva.

A operação tem a participação de cerca de 310 militares, dos quais mais de 90 estão envolvidos diretamente com os trabalhos na fazenda Jarinã e no local do acidente. Desde o início das buscas até o dia 23 os militares voaram aproximadamente 910 horas em 14 tipos de aeronaves da FAB, além de mais de 57 horas voadas pelo Exército Brasileiro. Nesse período, foram transportadas cerca de 3.700 pessoas, entre militares e profissionais envolvidos na operação.

Controladores de vôo serão ouvidos

Já a Polícia Federal deve começar a ouvir, a partir desta quinta-feira, os controladores de vôo de Brasília que estavam de plantão no dia do acidente com o Boeing. Os profissionais do Cindacta 1 eram os responsáveis pelo controle de vôo do jato Legacy no momento em que ele deveria alterar seu plano de vôo, evitando o choque com a aeronave da Gol.

O delegado Renato Sayão, responsável pelo inquérito, quer esclarecer se houve alguma falha no contato com o jato ou se os pilotos desobedeceram a alguma ordem do controle de vôo.

O delegado passou o dia analisando as transcrições das conversas entre os pilotos dos aviões e as torres de controle de Brasília, São José dos Campos e Manaus no dia do acidente. O material - fornecido pela análise das caixas-pretas das aeronaves - foi entregue à Polícia Federal na noite de segunda-feira, e traz os diálogos de 17 controladores e supervisores do controle aéreo com as aeronaves.

Nesta segunda-feira, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, afirmou que uma sucessão de erros culminou no acidente entre o Boeing e o Legacy. Ele enfatizou que é pouco provável que tenham ocorrido falhas em equipamentos e que se o transponder do Legacy estivesse em funcionamento a tragédia teria sido evitada. Para Pereira, podem ter ocorrido erros dos pilotos do Legacy, do controle e de interpretações erradas das regras de vôo.

E a Aeronáutica divulgou nesta segunda-feira uma nota sobre o pouso do Legacy logo após a colisão na Base Aérea da Serra do Cachimbo, no dia 29 de setembro. Segundo o comunicado, os funcionários da torre de controle de tráfego aéreo localizada na Serra do Cachimbo não têm obrigação de falar inglês por não se tratar de um aeroporto internacional, mas sim de uma base militar.

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