A regulamentação dos jogos de azar tem passado por uma série de reviravoltas durante o governo Lula. Na campanha de 2002, o presidente defendeu a legalização dos bingos para desenvolver o esporte brasileiro como ferramenta de inclusão social. No ano que assumiu o governo (2003), ele editou um decreto que formava um Grupo de Trabalho Interministerial para formular uma proposta definitiva sobre o assunto.
Em fevereiro de 2004, porém, o escândalo envolvendo Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, mudou radicalmente a postura do Palácio do Planalto. Diniz foi flagrado em uma gravação em que supostamente extorquia o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A suspeita era de que o dinheiro financiaria campanhas eleitorais de candidatos do PT.
Três semanas após a divulgação do vídeo, Lula editou a Medida Provisória 168/04, que proibia a exploração de qualquer jogo de azar. O texto foi aprovado na Câmara, mas rejeitado pelos senadores. O arquivamento embaralhou ainda mais a situação legal dos bingos e algumas casas continuaram funcionando por meio de liminares judiciais até 2006.
No mesmo ano, as suspeitas envolvendo Diniz também geraram a criação da CPI dos Bingos no Senado. A comissão, entretanto, pouco investigou a situação dos jogos no Brasil e acabou canalizando diversas denúncias contra o governo, o que gerou o apelido de "CPI do Fim do Mundo".
Entre os temas apurados pelos senadores esteve a suposta ligação entre o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), e um esquema ilegal de financiamento de campanhas petistas. Também foram tratados uma suposta remessa ilegal de dólares vinda de Cuba para a campanha de Lula e o caso da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, que derrubou o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. (AG)







