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Estudo dirigido

Estopim para críticas foi afastamento de economistas

O primeiro episódio que sugeriu que o Ipea pudesse estar passando por um "aparelhamento" ocorreu três meses depois de Márcio Pochmann assumir a presidência da instituição. Em novembro de 2007, quatro economistas foram afastados do órgão: Fábio Giam­­­biagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Régis Bonelli. O Ipea diz que a situação dos quatro era irregular.

Mas Rezende, que hoje é professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), argumenta que houve sim intenção deliberada de remover algumas vozes destoantes. "O Ipea sempre foi um órgão independente, mas agora é um aparelho para ‘vender o peixe’ do governo federal. A gente era um obstáculo às mudanças", afirmou.

Para o professor, mesmo que o Ipea tenha chegado à conclusão de que a permanência dos quatro era irregular, não era preciso ter promovido o afastamento do jeito que foi feito. "O Ipea nunca tinha tido essa relação com o poder. Agora tudo é dirigido no sentido de promover o governo."

Um pesquisador da USP que pediu anonimato concorda com Rezende. "Depois da entrada de Pochmann – que foi secretário da Marta Suplicy – inúmeros estudos são feitos em linha com as teses politico-partidárias defendidas pelo governo atual."

Para o professor Ubiratan Jorge Iorio, do Departamento de Análise Econômica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), os levantamentos do Ipea têm sido marcados pelo viés eminentemente político. "É isso o que ocorre quando cargos técnicos são preenchidos pelas preferências ideológicas ou por indicações de seus padrinhos políticos." (RF)

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