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Escândalos na Petrobras

Ex-diretor diz que recebeu R$ 1,5 milhão para “não atrapalhar” a compra de Pasadena

Em depoimento, Paulo Roberto Costa afirmou que recebeu o dinheiro do lobista Fernando Soares para não criar obstáculos à compra da refinaria nos Estados Unidos

O ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou aos investigadores da Lava Jato que recebeu R$ 1,5 milhão do lobista Fernando Soares para "não causar problemas na reunião de aprovação da Refinaria de Pasadena", no Texas. A Polícia Federal investiga a compra da refinaria nos Estados Unidos, que teria causado um prejuízo de milhões de reais à Petrobras.

De acordo com o depoimento de Costa, o processo da compra da refinaria estava sendo conduzido pela Diretoria Internacional da Petrobras, comandada por Nestor Cerveró e Fernando Soares lhe pediu que "não colocasse obstáculos à aprovação do referido negócio".

No depoimento aos investigadores, o ex-diretor afirmou que a "naquela região do Texas há muitas outras refinarias que a Petrobras poderia ter adquirido, mais novas e com mais capacidade de refinar o tipo de petróleo que a Petrobras exportava".

Costa disse ainda que no contrato foram colocadas duas cláusulas que não foram apresentadas na reunião de diretoria e nem na reunião do Conselho de Administração. A primeira cláusula impunha que a Petrobras deveria pagar à empresa Astra – parceira no negócio – a quantia de 6% como retorno mínimo de produção. Assim, mesmo que a estatal refinasse menos petróleo do que o mínimo estipulado no contrato, a Petrobras deveria pagar um valor mínimo à empresa parceira. A segunda cláusula não apresentada em reunião foi a obrigação de que se alguma empresa saísse do negócio, a outra é obrigada a comprar.

Na avaliação do ex-diretor, o principal problema de Pasadena era que a refinaria não era adequada para refinar o tipo de petróleo que a Petrobras exportava, era velha e tinha por dono uma trading pequena e que não era da área de refino. "Estes fatores eram de conhecimento da diretoria da Petrobras", disse Costa.

Depois que a Astra saiu do negócio, Costa afirmou que "havia boatos na empresa [Petrobras] de que o grupo de Nestor Cerveró, incluindo o PMDB e Fernando Baiano, teria dividido algo entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões, recebidos provavelmente da Astra".

Ainda de acordo com o delator, embora Soares fosse o operador do PMDB no esquema, "tinha uma boa articulação entre todos os partidos", inclusive no PT.

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