Nos últimos seis anos, o interior do Paraná foi o principal beneficiado por muitas políticas estaduais. O governador Roberto Requião optou por priorizar cidades fora dos polos econômicos consolidados, numa guinada de 180 graus em relação à cartilha lernista, que atraiu, por meio de incentivos, dezenas de multinacionais para a região metropolitana de Curitiba.
Outra grande marca de Requião foi o investimento público em rodovias. Apesar de o governo ter perdido a batalha com as concessionárias de pedágio, que não acabaram tampouco baixaram o preço das tarifas, rodovias foram reformadas e construídas. "As cidades do interior ficaram praticamente abandonadas com o Anel de Integração do Jaime Lerner. O governo Requião tentou mudar isso. Não é à toa que ele é o rei dos grotões", observa o doutor em desenvolvimento regional Jandir Ferrera de Lima, professor do câmpus da Unioeste de Toledo.
Um dos fatores que levaram o desenvolvimento a regiões mais pobres foi o investimento em rodovias. Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Unioeste em Cascavel, Ricardo Rippell, doutor em desenvolvimento, a gestão atual está melhorando bastante a infraestrutura rodoviária.
De acordo com pesquisas da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), as estradas do Paraná são, de fato, bem avaliadas pelos usuários. Entre 2002 e 2007, a quilometragem de estradas paranaenses consideradas ótimas ou boas ficou estável; passou de 2.342 km para 2.450 km, seguindo uma tendência nacional.
Na praia
A estrada percorrida por Requião desviou da capital e chegou ao litoral. Falhas históricas continuam ocorrendo: a região ainda reclama de ser lembrada apenas na temporada de verão.
Mas, desde 2005, o litoral paranaense está vivendo uma experiência inédita. Os governos estadual e federal, juntamente com prefeituras da região, se uniram para a instalação de um câmpus da UFPR nas praias. Além de se propor a oferecer educação superior de qualidade e gratuita, o programa também quer mudar a realidade social da população litorânea.
Auditoria do ano passado indicou a falta de documentos e falhas em alguns processos, como sistema de verificação dos níveis de aproveitamento dos alunos da UFPR Litoral. Mas o diretor da unidade, Valdo Cavallet, ressalta as qualidades do projeto: em vez das aulas tradicionais, professores e estudantes desenvolvem projetos comunitários nas áreas de saúde, educação e ecologia. Pelo protocolo de intenções, o projeto terá duração de 30 anos. "Até lá temos que ter contribuído significativamente para melhorar a qualidade de vida das comunidades. Mas já começamos a notar alguns resultados", diz.
Saneamento
Um dos grandes problemas do litoral é a falta de saneamento básico. Segundo a Sanepar, há rede disponível, mas muitos moradores não fazem a ligação correta. No final da temporada, a companhia informou que houve um salto de 80,3% no número de ligações corretas passaram de 8.138 imóveis em fevereiro do ano passado para 14.675 unidades em fevereiro deste ano nas cidades de Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Morretes e Pontal do Paraná. Apesar do avanço, o dado revela que a grande maioria ainda está na irregularidade: a população desses locais soma 94,7 mil pessoas, o equivalente a 23,6 mil residências.
Em todo o estado, a rede de esgoto está disponível para apenas 51,4% dos paranaenses, contra 44,6% há seis anos. Já o abastecimento de água é quase universal: chega a 99% dos moradores, segundo dados de 2007 da Sanepar.







