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Maranhão

Governador diz que cassação seria "retorno do coronelismo"

Jackson Lago (PDT) é acusado de abuso de poder econômico e de autoridade nas eleições de 2006

Prestes a ter seu processo de cassação julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, sob a acusação de abuso de poder econômico e de autoridade nas eleições de 2006, o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), afirmou nesta terça-feira (16) que o resultado da ação movida contra ele será "um ato justo ou retorno do coronelismo". O processo de cassação contra Lago deve entrar na pauta de julgamento do TSE na sessão desta terça à noite.

Em entrevista concedida nesta manhã a duas rádios de São Luís, o governador voltou classificar o processo de cassação como uma manobra política do grupo Sarney. "Nós temos plena confiança. O Brasil hoje é outro. O País é outro. Não tem nada a ver com aquelas manobras. Essa fase passou. Hoje nós temos aí os olhos da nação, os olhos do País estão lá cravados para saber se a decisão vai ser justa ou se a decisão vai ser o retorno do coronelismo, o retorno da corrupção, de forma que eu não tenho dúvida nenhuma. O Brasil evoluiu, o País é outro e vamos ter justiça nesta noite", disse Lago.

A ação contra ele foi movida pela coligação "Maranhão a Força do Povo", formada pelo então PFL (hoje DEM), PMDB, PTB e PV e que tinha como cabeça de chapa a senadora Roseana Sarney, derrotada nas eleições de 2006. Lago é acusado pela coligação de ser o principal beneficiário pelo uso eleitoreiro de convênios e transferências de cerca de R$ 280 milhões para 156 municípios maranhense durante a campanha de 2006.

Na época, o Maranhão era governado por José Reinaldo Tavares (PSB), que apoiou publicamente a candidatura de Lago. Se depender do Ministério Público Eleitoral, Lago será cassado e o governo do Estado será assumido pela senadora Roseana Sarney (DEM-MA), derrotada no segundo turno, em 2006, pelo atual governador.

Jackson disse que pretende acompanhar o julgamento do TSE pela TV, no Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão. "Eu estou tranqüilo, estou com a tranqüilidade de quem só tem feito o bem, de quem tem mostrado para que chegamos ao governo e eu tenho certeza que hoje à noite o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai dizer sim à dignidade, vai dizer sim ao trabalho e não vai 'conestar' qualquer farsa desta oligarquia que pretende retornar ao poder através de manobras", declarou.

Manifestações

Após a notícia de que o processo de cassação estava na pauta do TSE, Jackson Lago recebeu várias manifestações de apoio de políticos e de movimentos populares, como o Movimento Sem-Terra (MST) e a Via Campesina. Há oito dias, um grupo de agricultores liderados pelo MST montou um acampamento em frente ao Palácio dos Leões, denominado "Acampamento Balaiada" (em alusão a uma revolta popular maranhense ocorrida no século XIX), como forma de prestar solidariedade ao governador. Segundo o MST, o movimento conseguiu reunir aproximadamente 1.200 agricultores.

Na segunda-feira (14), na segunda maior cidade do Maranhão, Imperatriz, partidários do governador realizaram uma passeata pelas ruas da cidade exigindo a manutenção dos mandados do governador e do vice Luís Carlos Porto (PPS). Porto é natural de Imperatriz. Em São Luís, um encontro do PSDB serviu como ato de desagravo ao governador Jackson Lago.

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