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Governo tira do ar estudo com falhas da gestão Lula

Levantamento feito por técnicos da própria administração federal apontava problemas na educação e inviabilidade de programas

“A intenção não é ocultar o levantamento. Uma solução seria colocar o estudo no site, mas com a assinatura de quem fez a avaliação. Assim como o Banco Central faz.” Paulo Bernardo, ministro do Planejamento | Christian Rizzi/ Gazeta do Povo
“A intenção não é ocultar o levantamento. Uma solução seria colocar o estudo no site, mas com a assinatura de quem fez a avaliação. Assim como o Banco Central faz.” Paulo Bernardo, ministro do Planejamento (Foto: Christian Rizzi/ Gazeta do Povo)

Dois dias depois de ser lançado, o Portal do Planejamento do governo federal foi retirado do ar ontem, no mesmo dia em que o jornal Valor Econômico publicou uma matéria em que mostra que o site apresentava um aprofundado estudo crítico sobre o governo Lula. O levantamento aponta a estagnação em diversas áreas e a inviabilidade de alguns programas federais – informações que podem servir de munição para a campanha tucana atacar a candidata petista Dilma Rousseff, que baseia seu discurso na continuidade do trabalho de Lula.

Ainda não há previsão de quando o Portal do Planejamento voltará ao ar, nem se o estudo crítico continuará a ser divulgado. O site levou um ano e meio para ser finalizado e foi desenvolvido pela Secretaria de Planejamento e Investimento Estratégico, que também é responsável pelo estudo. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, se reunirá na segunda-feira com os técnicos do ministério para tratar do assunto. Ele ressaltou ontem que o levantamento não traz uma opinião do ministério e sim de técnicos e gestores que realizaram o estudo.

Esse deve ser um dos pontos modificados quando o site voltar ao ar. "Uma solução seria colocar o estudo no site, mas com a assinatura de quem fez a avaliação. Assim como o Banco Central faz", afirmou Paulo Bernardo, que negou que haja a intenção do governo de retirar o levantamento do site.

Ele ainda informou que os dados apresentados no estudo devem ser revisados. Isso porque o ministro da Educação, Fernando Haddad, teria ligado para contestar informações apresentadas no portal em relação à sua pasta. A reportagem do Valor Econômico mostrou que a educação foi um dos pontos mais criticados no estudo do Ministério do Planejamento.

O levantamento teria apontado poucos avanços no setor desde 2003, início do primeiro governo Lula. Os principais problemas seriam a dificuldade de acesso à educação infantil e ao ensino médio, a evasão escolar (de 6,9% dos alunos) e a repetência (de 20,1%) no ensino fundamental. A lentidão na queda da taxa de analfabetismo funcional entre jovens e adultos também é considerada preocupante pelos técnicos do Plane­­jamento. Em seis anos, entre 2003 e 2008, essa taxa caiu de 24,8% para 21%, mostra o estudo.

Além de Haddad, outros ministros também teriam ligado para Paulo Bernardo para reclamar do levantamento, segundo relatou o próprio ministro do Planejamento. A principal reclamação seria em relação ao fato de o estudo ter sido feito sem que as pastas que foram analisadas terem sido ouvidas. Esse seria outro argumento para o texto voltar ao site com o nome dos técnicos que realizaram o estudo.

Em resposta à reportagem do jornal Valor Econômico, a assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento também divulgou ontem uma nota em que ressalta pontos positivos do governo Lula apontados pelo estudo. Um dos destaques da nota é Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um dos carros chefes do governo petista, e a ampliação da aplicação de recursos para investimento.

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