Há pelo menos três versões para a morte de Antônio Teodoro de Castro, o guerrilheiro "Raul" que fazia parte do destacamento B do grupo armado, o mais preparado militarmente e, por isso, o último a ser rendido pelo Exército.
O destacamento estava disperso, com pouco armamento e sem mantimentos desde o fim de 1973. No início de fevereiro de 74, Raul foi detido por um grupo de militares guiados pelo guerrilheiro gaúcho Cilon da Cunha Brun, de 28 anos, cujo codinome era "Simão". Ele havia sido preso anteriormente pelo Exército.
Raul acabou sendo preso no dia 5 de fevereiro, segundo a versão dos mateiros que deram depoimentos a sua irmã, Mercês de Castro. Ele teria sido morto em 27 de fevereiro. O militar Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, líder do grupamento do Exército, teria sido quem deu a ordem para levar Raul e Simão para um "reconhecimento".
Na conversa gravada por Mercês, um dos mateiros conta que os dois foram levados de helicóptero do local em que estavam até a fazenda Matrichã por Curió e outro militar identificado como sargento Ivan (Joaquim Artur Lopes de Souza assassinado em 1987 durante um assalto). A decolagem do helicóptero foi na base do Exército em Xambioá. "Parece que já tinham batido neles muito (nesse momento)", relata um mateiro.
Depois de caminhar por cerca de uma hora no meio da mata, todos pararam para descansar. O mateiro afirma que os dois guerrilheiros estavam algemados e desarmados. Depois de os militares comerem, Curió, então, teria falado: "Agora!". Teria levantado, ido até a árvore em que estava escorado Raul e mirado o fuzil na cabeça. Depois do primeiro tiro que derrubou o guerrilheiro, os militares e um mateiro teriam descarregado as armas em Raul e em Simão.
Depois das mortes, os militares teriam até tentado cavar uma cova para enterrar os dois, mas desistiram e os corpos ficaram abandonados no meio da floresta. "Eles estão juntos. Nem enterrados foram", garante um mateiro que falou com Mercês.
Há, porém, versões diferentes para a morte de Raul. No arquivo do major Curió, revelado pelo O Estado de S. Paulo, registra-se que Raul foi "executado em 01/0974" (ou, supostamente, 1º de setembro de 74). Por outro lado, um relatório do Ministério da Marinha diz que ele "foi morto durante ataque de terroristas à equipe que o conduzia no dia 27 de fevereiro de 1974". Nessa versão, a Marinha nega a execução e dá a entender que ele teria sido assassinado por companheiros. (HC)



