Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Eleição no TJ-PR

“A realização de concurso para servidores de 1.º grau é medida que se impõe”

Eugênio Achille Grandinetti, corregedor-geral da Justiça do TJ-PR, desembargador, candidato a presidente do órgão

 | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
(Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Prestes a completar 65 anos, o desembargador Eugênio Achille Grandinetti, que já foi corregedor e atualmente é corregedor-geral da Justiça, agora que usar sua experiência para se tornar presidente do TJ-PR. “Como corregedor, vivenciei a realidade das unidades judiciais de todo o estado”, conta. Formado em Direito pela UFPR, em 1975, o curitibano exerceu a advocacia por 5 anos antes de se tornar juiz. Como magistrado ele passou pela Lapa, Campo Largo, Prudentópolis, Curitiba e outras cidades do estado.

Grandinetti foi nomeado em de abril de 2002 juiz do Tribunal de Alçada e, em dezembro de 2004, com a extinção do órgão, foi promovido ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná.

“Ao longo dessa experiência [como corregedor], pude entender que a administração de nosso tribunal há que se profissionalizar, mantendo foco nas soluções, muito mais do que nos problemas, buscando a modernização de nossas ferramentas e estruturas, bem como a qualificação e a capacitação de nossa força de trabalho. Sinto-me, portanto, preparado para esse desafio”, diz.

Quais são as suas principais propostas para o TJ?

Atuar imediatamente na correção das distorções que estão impedindo a eficiência na prestação jurisdicional, especialmente no aperfeiçoamento da virtualização dos processos, na profissionalização e racionalização da gestão de recursos humanos, e na padronização das rotinas de trabalho em primeiro e segundo graus de jurisdição.

Qual a sua visão sobre a redução de membros do Órgão Especial?

A redução de membros do Órgão Especial é um tema interno polêmico, com relevantes argumentos, tanto contrários à medida, quanto favoráveis a ela. No entanto, neste momento, entendo ser uma questão superada, visto que foi retirada de pauta pelo atual presidente do Tribunal.

A OAB-PR tem cobrado veementemente melhoria na infraestrutura e na prestação dos serviços do primeiro grau de jurisdição. Como o senhor pretende atender a essa demanda?

Como corregedor, vivenciei a realidade das unidades judiciais de todo o estado. A digitalização dos processos é uma realidade no Poder Judiciário paranaense. E os resultados dessa transformação nos últimos 2 anos foram tão expressivos que se fazem necessárias alterações nas políticas de administração judiciária na mesma proporção. O PGI (Programa de Gestão Integrada) servirá de base para a tomada de decisões de todo o Poder Judiciário do Paraná e trará reflexos de melhoria nas condições de trabalho do 1.º grau, com racionalização das rotinas de trabalho e melhor aproveitamento de recursos, o que tem consequência direta na eficiência do serviço prestado a quem busca justiça.

O senhor é favorável à criação das duas novas câmaras cíveis?

Este é um ponto sensível da administração. O volume de distribuição das Câmaras Cíveis aumentou exponencialmente nos últimos anos e a atual situação não é ideal. Nem para partes e advogados, nem para o tribunal, que se preocupa em prestar a jurisdição de forma mais eficiente. Por outro lado, nossas ações devem ser pautadas por transparência e responsabilidade e, em momento econômico tão delicado, não podemos descurar do equilíbrio financeiro. Desse modo, a instalação de novas Câmaras Cíveis deverá ser avaliada com vistas a atender o interesse público.

Como pretende cumprir as metas do CNJ?

As metas pertinentes à Justiça estadual para 2017 ainda não foram aprovadas, de sorte que ainda não é possível traçar plano de ação específico. Já fui gestor das Metas 1 e 2 de 2014, das Metas 1, 2, 4 e 6 de 2015 e das Metas 1, 2, 4, 5 e 6 de 2016, implementando nova sistemática de acompanhamento, apoiada em medições estatísticas e monitoramento mais frequente de resultados parciais, o que tem surtido bons efeitos. Mas é justo reconhecer que o bom desempenho que temos nas metas é, acima de tudo, fruto da dedicação e do trabalho árduo dos desembargadores, juízes e servidores de nosso tribunal.

Na atual gestão, houve poucas nomeações de servidores aprovados em concursos que ainda estão valendo, caso dos técnicos para o segundo grau de jurisdição e de assessores jurídicos. No demonstrativo de cargos do tribunal, apenas para o cargo de técnico há mais de 400 vagos, isso sem falar nas dezenas de aposentadorias que ocorreram desde 2013 para cá. Sabe-se também que há muitos estagiários no tribunal. O senhor pretende chamar mais candidatos aprovados para suprir essa demanda?

A presente questão está intimamente entrelaçada com a seguinte. Assim, peço licença para respondê-las em conjunto.

Há perspectivas de novos concursos públicos principalmente para o primeiro grau, já que há a necessidade clara de contratação de novos servidores para atendimento ao público?

A realização de concurso para servidores de 1.º grau é medida que se impõe, dado o grande número de aposentadorias, evidentemente sem descurar da disponibilidade financeira. Além disso, é preciso recompor o quadro de magistrados do estado, mediante a realização de concurso para ingresso na carreira da Magistratura. Não obstante, é de conhecimento de todos que as nomeações passam pela necessidade prévia de existência de recursos para fazer frente aos novos ingressos, vez que o tribunal não mais se desonera do pagamento de servidores que se aposentam.

No início do ano, a Associação dos Magistrados do Paraná enviou requerimento à presidência do tribunal com 20 pedidos de juízes substitutos e de entrância inicial. Entre eles, há reclamação de falta de estrutura de trabalho para juízes em começo de carreira e sobre a qualidade das notícias divulgadas no site do TJ. O que o senhor pretende fazer a respeito?

Atualmente, é disponibilizado aos juízes em primeiro grau pelo menos um assessor comissionado e mais dois estagiários. Contudo, o número de novas ações vem crescendo, sendo necessário reequilibrar a força de trabalho. Quanto ao portal do TJ, proponho toda uma reestruturação da comunicação institucional, com modernização da abordagem de comunicação social interna e externa, buscando maior transparência, efetividade e aproximação do tribunal com a imprensa, com o cidadão e também com nossos colaboradores.

Por que o senhor acredita que deve ser escolhido como o novo presidente do TJ?

Atuando junto à Corregedoria-Geral da Justiça, conheci a fundo as inúmeras qualidades de nossos magistrados e servidores, e também as dificuldades que enfrentamos na prestação dos serviços aos jurisdicionados. Ao longo dessa experiência, pude entender que a administração de nosso tribunal há que se profissionalizar, mantendo foco nas soluções, muito mais do que nos problemas, buscando a modernização de nossas ferramentas e estruturas, bem como a qualificação e a capacitação de nossa força de trabalho. Sinto-me, portanto, preparado para esse desafio.

Como vai ser seu relacionamento com a imprensa?

Ao longo desses quase 36 anos de carreira como magistrado minha postura sempre foi buscar o diálogo franco e aberto, promover um relacionamento conciliador e sempre defender meu posicionamento com tranquilidade e serenidade. Em minha atuação jurisdicional, sempre defendi a liberdade de informação, como corolário do Estado Democrático de Direito, prevalecendo, por regra, o interesse público na divulgação de fatos, atos e, também, na exposição de críticas sem conteúdo deliberadamente abusivo ou difamatório.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.