O que foi dito:
"Miséria é imoral. Pobreza é imoral. Talvez seja o maior crime moral que uma sociedade possa cometer."
Herbert de Souza, o Betinho, sociólogo.
Uma doação de R$ 2 mil está criando problemas para o deputado federal Abelardo Lupion. A Folha de São Paulo elaborou uma lista de parlamentares que receberam dinheiro, na campanha eleitoral de 2006, de empresas acusadas de utilizar trabalho escravo. Lupion, do PFL, foi um dos 16 listados. Ele recebeu os R$ 2 mil da Jorge Mutran Exportadora de Castanha Ltda. A doação está registrada na prestação de contas do deputado ao Tribunal Superior Eleitoral.
A Jorge Mutran aparece três vezes na "lista suja" do Ministério do Trabalho. O que significa que em três ocasiões foram libertados trabalhadores que, segundo o Grupo Móvel do ministério, estavam em condições análogas à escravidão em propriedade da empresa. A fazenda onde os fatos foram registrados é a Cabaceiras, em Marabá, no interior do Pará.
Lupion diz que não sabia dos problemas da empresa. "Esse pessoal é criador de nelore", comenta. "Eu defendo o agronegócio e recebo doações de várias pessoas deste setor, não há como investigar o passado de cada um", afirma. No total, Lupion registrou R$ 784 mil em doações para sua campanha de 2006. "Não ia arrumar sarna para me coçar por causa de R$ 2 mil", argumenta.
Lupion, reeleito com 123 mil votos, ressalta que é contra o trabalho escravo. Na Câmara dos Deputados, votou contra uma emenda constitucional que previa a expropriação de terras de quem fosse flagrado mantendo trabalhadores em condições de escravidão. Mas diz que seu voto foi contrário porque ele é contra a expropriação em si. "Primeiro tem que transitar em julgado. Depois, punir. O fazendeiro pode até perder a terra em multas", afirma.
Lupion garantiu ainda que se a Jorge Mutran for condenada com o caso já transitado em julgado não será ele a se opor à punição legal. "Mas tem que ver se houve cerceamento de liberdade. Porque às vezes registram como trabalho escravo um problema trabalhista de outro tipo, como falta de carteira assinada", diz ele.
Radar
Lista suja Quem quiser conhecer a lista integral das empresas flagradas pelo Ministério do Trabalho mantendo trabalhadores em condição de escravidão pode acessar o seguinte endereço na internet: http://www.mte.gov.br/trab_escravo/lista1218.pdf. Não há nenhuma empresa paranaense listada no momento.
Vetos A grande dúvida na Assembléia Legislativa é se haverá quórum para derrubar qualquer veto do governador nos próximos dias. Foram convocadas duas semanas de sessões extraordinárias. Entre os principais pontos da pauta estão os vetos que Roberto Requião impôs à lei orçamentária de 2007. Há quem suspeite que a convocação nestes dias de férias e calor é estratégica. Nem todos os deputados vão se abalar até Curitiba. E com isso fica mais difícil conseguir os 28 votos necessários para derrubar um veto.
Piratas 1 Acaba de completar um ano de idade o Partido Pirata da Suécia. A principal plataforma política do partido é liberar o download de filmes e músicas via internet. O Piratpartiet poderia ter feito seu primeiro deputado em 2006 e só não conseguiu por uma espécie de cláusula de barreira local, segundo a revista Superinteressante. A Wikipédia informa que o partido já está perto de ter 10 mil filiados. Agora, a organização fala em comprar uma plataforma marítima ou uma ilha para fundar um país soberano, onde a pirataria seja permitida.
Piratas 2 Numa primeira olhada, o partido sueco pode dar a impressão de estar fazendo piada. Nada disso. A discussão sobre direitos autorais e pirataria é bilionária e pode mudar relações de consumo em todo o mundo. De certa maneira, a importância que vem sendo dada à idéia e ao partido servem como um aviso para os políticos. É preciso pensar quais são as causas que devem entrar no debate político do século 21.







