Manifestantes contrários ao governador Pedro Paulo Dias (PP) realizaram um protesto nesta terça-feira (21) em frente ao Palácio do Setentrião, sede do governo estadual. Pedro Paulo reassumiu o mandato após ficar preso por nove dias. Ele e mais 17 pessoas foram alvo da Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, que investiga supostos desvio de recursos públicos no estado.

A manifestação contra o governador foi realizada por um movimento chamado de "Mãos Limpas", em alusão à operação. Dezenas de pessoas gritavam palavras de ordem, faziam sinais e chamavam em coro o governador de "ladrão".

Pela manhã, Pedro Paulo Dias fez um pronunciamento no qual disse ter "certeza" de sua inocência e reclamou de não ter sido ouvido pela PF e de não ter tido acesso ao inquérito. O governador questionou quem teria se beneficiado com o escândalo no estado.

O movimento está coletando assinaturas para pedir a saída de Pedro Paulo Dias do cargo. Os manifestantes querem também a intervenção federal no Amapá. Fazem parte do movimento entidades sindicais, estudantis e religiosas.

"O que eu passei eu não desejo para ninguém. A prisão, ter sua casa vasculhada diante de seus filhos, ter sua vida pessoal devassada, tudo isso sem ter sido interrogado em momento algum, sem nenhum julgamento prévio, sem dispor do direito de ampla defesa, do contraditório, sem direitos fundamentais da democracia", afirmou ele na entrevista.

Operação

A operação da Polícia Federal investiga um suposto esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

Foi constatado, de acordo com a PF, que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação não respeitavam as formalidades legais e beneficiavam empresas previamente selecionadas em vários órgãos da administração pública.

Na operação, foram mobilizados 600 agentes federais para cumprir 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em uma casa do presidente do Tribunal de Contas do Amapá, a PF encontrou R$ 1 milhão, cinco carros de luxo – entre os quais uma Ferrari e uma Maserati – e duas armas.

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