O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, afirmou nesta terça-feira (24), antes da reunião em que foram discutidos pontos da reforma tributária com os líderes da base aliada, que a aprovação da proposta do Partido Verde de renegociação de dívidas mexeria com a essência da reforma e poderia ser classificada de meio Refis (programa de refinanciamento de dívidas da Receita Federal). Essa proposta tem também apoio de líderes do PMDB.
Na reunião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou estudos para mostrar à base aliada as dificuldades do governo em aprovar um novo refinanciamento amplo de dívidas. "A democracia tem uma luta a cada dia. A cada dia, você tem que ceder espaços para conquistar espaços e fazer uma avaliação que seja boa para todos e mantenha o respeito entre os dois Poderes [Executivo e Legislativo]", disse José Múcio.
O relator da reforma tributária, deputado Sandro Mabel (PR-GO), criticou os que tentam atrapalhar a reforma, por considerá-la chapa branca. Segundo ele, não se trata de uma reforma que o governo queira passar para arrecadar mais impostos.
Antes da reunião, Mabel sustentou que as medidas desoneram os investimentos e a folha de pagamentos e reduzem a carga tributária das pessoas físicas que ganham menos. Ele enfatizou que a reforma foi discutida com vários segmentos da sociedade, em vários pontos do país: "A reforma é hoje reconhecida. Só não é reconhecida por quem não quer que o presidente Lula aprove uma reforma tributária."
Segundo Mabel, a votação da reforma deve começar amanhã (26) à noite, com a leitura do relatório em plenário. Daí veio a idéia de ouvir os líderes para que sejam adotados pontos de ajustes, basicamente na área de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). "São coisas que se tem que ir costurando para que ninguém saia perdendo e ninguém possa ganhar, mas que seja um reforma neutra. Ela é boa para o Brasil e vai colocar ganhos para a população que está excessivamente tributada."
No entender do relator, se a proposta não for aprovada até o final do ano, o governo pode perder o interesse, e a reforma deve esperar mais quatro ou seis anos, com a população pagando imposto por capricho de alguns que querem fazer da reforma um capricho político.



