Sessão da comissão especial que analisa o pacote anticorrupção: texto aprovado pelo colegiado manteve a essência das propostas da Lava Jato. | Luís Macedo/Agência Câmara
Sessão da comissão especial que analisa o pacote anticorrupção: texto aprovado pelo colegiado manteve a essência das propostas da Lava Jato.| Foto: Luís Macedo/Agência Câmara

Após a aprovação do pacote de medidas contra a corrupção na comissão especial da Câmara dos Deputados, líderes de praticamente todos os partidos, com exceção da Rede e do PSol, vão tentar derrubar o texto do relator Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e aprovar um projeto substitutivo no plenário da Casa que “muda quase tudo” na proposta originalmente apresentada pela força-tarefa da Lava Jato ao Congresso. A votação está prevista para ocorrer nesta quinta-feira (24) e o novo texto deverá incluir as duas medidas que ficaram de fora do pacote aprovado na quarta: a anistia à prática do caixa 2 nas campanhas eleitorais e a previsão de punir juízes e integrantes do Ministério Público (MP) por crime de responsabilidade.

“Vamos votar um substitutivo que muda bastante o conteúdo do texto. Muda quase tudo, cerca de 70%”, disse o deputado Vicente Cândido, vice-líder do PT e próximo ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Segundo o deputado, há um acordo para que o texto siga, “de imediato”, para ser apreciado no Senado, para, em seguida, ser sancionado pelo presidente Michel Temer.

Medo da Odebrecht

Vicente Cândido, no entanto, negou que a pressa exista por causa da expectativa da homologação das delações dos executivos da Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato – especula-se que os delatores da empreiteira poderão envolver até 300 políticos, sobretudo em casos de caixa 2.

Para justificar a aprovação de um texto mais favorável à classe política, deputados alegam que o relator das medidas anticorrupção descumpriu o acordo com os líderes e votou um texto diferente do que foi acertado com as bancadas.

Madrugada

O presidente da Câmara deixou a Casa por volta das duas horas da madrugada desta quinta dizendo que não conhecia o texto aprovado e que, por isso, não sabia dizer o que iria acontecer durante a votação do pacote no plenário. “Eu não vi o texto, então não posso dizer o que vai ser aprovado.”

Maia também negou que haverá uma anistia aos políticos que praticaram caixa 2 e defendeu a tese de que, como o crime passará a ser tipificado somente após a aprovação da proposta, não há como punir quem praticou atos dessa natureza antes.

O pacote das medidas anticorrupção foi aprovado por unanimidade na comissão (30 a 0). A votação foi concluída somente depois da meia-noite. Por causa do horário, Maia desistiu de votar o texto no plenário na madrugada desta quinta.

A sessão foi suspensa, mas os principais líderes da Casa continuaram no gabinete de Maia discutindo que estratégia adotar diante do texto que foi aprovado no colegiado.

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