BRASÍLIA - Os negócios fechados por José Adriano Sarney, neto do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com a instituição não são restritos aos empréstimos consignados. José Adriano é sócio da Sacris Consultoria, que atuava em parceria com o Grupo MBM e também intermediava seguro de vida para servidores da Casa.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, o MBM costumava oferecer aos servidores do Senado dois produtos: seguro de vida com direito a resgate após um ano e o chamado seguro contra acidentes pessoais, que inclui assistência funeral. Corretores de seguros, assim como os vendedores de crédito consignado, recebem comissão pelos contratos fechados.
O gerente do escritório da MBM em Brasília, Roberto Toledo, afirmou ao jornal que a parceria com a empresa do neto de Sarney era informal e que surgiu após uma indicação do HSBC.
O presidente do Senado encaminhou neste fim de semana uma carta aos 80 colegas se defendendo das denúncias de que seu neto teria sido favorecido em negociações com a instituição. Sarney reconhece que a Sacris intermediava empréstimos consignados para servidores da Casa, mas afirma que não interferiu nos negócios do neto.
"Nenhuma ligação pode ser feita entre a minha presidência e o fato-objeto da reportagem. Quero também comunicar-lhe que pedi à Polícia Federal que investigue todos os empréstimos consignados no Senado e as empresas que os operam'', afirma o documento.
Atos secretos
A comissão de sindicância que investiga a responsabilidade pelos atos secretos do Senado pretende recomendar a punição de outros servidores que também se envolveram no esquema capitaneado pelos ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi. A equipe de trabalho, que finaliza os últimos detalhes do pedido de abertura de um processo disciplinar para demitir Agaciel e Zoghbi do serviço público, vai sugerir ainda punições menores a funcionários que sabiam da existência de atos secretos, mas nada fizeram para impedi-los.
Entre esses servidores estão Franklin Albuquerque Paes Landim, chefe da publicação de boletim administrativo, e Celso Antônio Menezes, ex-chefe de gabinete de Agaciel.
O primeiro afirmou que Agaciel e Zoghbi davam ordens para esconder decisões administrativas. Já Menezes repassou e-mails a Franklin, a pedido de Agaciel, determinando a não publicação desses atos. Esses dois correrão o risco de receberem sanções internas, como suspensão, o que representaria corte nos salários.
A comissão formada por três servidores pediu mais cinco dias para concluir seu relatório. Todos os envolvidos foram ouvidos nos últimos dez dias. A sindicância não tem dúvidas de que houve intenção em esconder boletins administrativos, confirmando a suspeita levantada pelo grupo de trabalho que identificou esses atos secretos. No total, 663 documentos sigilosos foram encontrados.







