Novo vídeo sobre a atuação do chamado mensalão do DEM volta a levantar suspeitas sobre envolvimento do vice-governador do Distrito Federal Paulo Octávio (DEM) com o esquema de propina. Em conversa gravada pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, um homem identificado como Marcelo Toledo, que seria um dos operadores do governador José Roberto Arruda, cobra repasse de recursos supostamente pedidos por Paulo Octávio.
O vídeo foi divulgado neste fim de semana pela revista Veja. Na gravação, Toledo entrega ao ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa e a Omézio Pires, assessor pessoal do governador José Roberto Arruda, um maço de notas de R$ 100 lacradas.
Segundo Toledo, o dinheiro para o vice-governador seria para repassar a prefeitos supostamente em campanha eleitoral, em 2008. "O Paulo Octávio pediu para ver se você manda para ele alguma coisa hoje", diz Toledo. "Hoje não", responde em seguida Durval. "Ele falou que tem que pagar uns negócios de uns prefeitos que ele tá ajudando aí, uns candidatos", explica então Toledo. "Mas amanhã eu dou. Amanhã eu dou conta. Posso até começar hoje", afirma Durval Barbosa. Antes de tocar no assunto, Toledo entrega a Durval o maço de dinheiro e diz que o valor total seria de "noventa". O dinheiro, ainda segundo Toledo, viria da empresa identificada na gravação apenas como CAP.
O outro lado
Antonio Carlos de Almeida Castro, advogado de Paulo Octávio, afirmou que o vice-governador não autorizou ninguém a falar em nome dele e que tomará as medidas legais cabíveis para responsabilizar os que usaram indevidamente seu nome. O advogado afirmou ainda que o vídeo é contraditório. "Não existe nenhuma pessoa autorizada a falar por ele politicamente. Ele é quem fala. O vídeo mostra uma contradição. Se o Toledo fosse ligado ao Paulo Octávio não estaria entregando dinheiro ao Durval, entregaria direto ao Paulo Octávio", disse o advogado.
A reportagem tentou entrar em contato com os outros citados, mas não conseguiu localizá-los.
Problemas para o DEM
O aparecimento de vídeos envolvendo Paulo Octávio no esquema do mensalão do DF cria um novo problema para o DEM. O partido já dá como certa a expulsão do governador José Roberto Arruda e, com isso, ficaria sem um nome para concorrer ao governo do Distrito Federal em 2010 (os políticos que vão disputar a eleição do ano que vem tinham de estar filiados até outubro deste ano no partido em que pretendem concorrer). A legenda, nos bastidores, trabalhava para isolar Paulo Octávio do escândalo para ter uma opção viável para 2010.



