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Era Requião

O calcanhar de aquiles

Confira que os investimentos do governo não resultou na diminuição da violência |
Confira que os investimentos do governo não resultou na diminuição da violência (Foto: )

Os indicadores mostram que o ponto fraco do governo Requião foi mesmo a segurança da população. De acordo com o mapa do crime divulgado pela Secretaria de Segurança Pública em março, ocorreram 2.831 homicídios dolosos no estado no ano passado, alta de 7% em relação a 2007.

A comparação com outras unidades federativas não é possível, pois cada uma possui uma metodologia diversa. Mas, utilizando os dados do Datasus, do Ministério da Saúde, é possível ver que as mortes decorrentes de agressões cresceram muito mais no Paraná do que em outras regiões entre 2002 e 2006.

Pelos dados do governo estadual, a taxa de homicídios seria equivalente a 27,73 casos a cada 100 mil habitantes, para uma população de 10,5 milhões em 2008. Nessa estatística, não são considerados os casos de latrocínio, mortes em confrontos policiais e cadáveres encontrados, uma mudança de metodologia implantada neste ano.

Segundo o Datasus, no entanto, já em 2006 o coeficiente de mortes violentas no Paraná era maior do que o divulgado pelo governo para 2008. A base de dados do Ministério da Saúde indica que as mortes por agressões no Paraná saltaram de 22,8 a cada 100 mil habitantes para 29,8 em 2006. Na Região Sul, houve crescimento em ritmo menor: de 18,4 para 21 a cada 100 mil. E a média brasileira apresentou queda, de 28,5 para 26,3 a cada 100 mil.

De acordo com o professor da UFPR Pedro Bodê, doutor em Sociologia e especialista em segurança, a violência tem crescido em todo o país e é uma preocupação nacional, não apenas do estado. Ele aponta três pontos principais que explicam esse cenário: 1) não há capacidade de investigação adequada, por falta de polícia técnica suficientemente preparada; 2) o sucateamento dos equipamentos policiais; e 3) a falta de agilidade dos sistemas penitenciário e judiciário.

O aumento das mortes violentas aconteceu ao mesmo tempo em que foram ampliadas as vagas no sistema prisional. "Há muita pressão da sociedade para o aumento das vagas, embora não haja nenhuma relação entre o número de presos e a queda no número de crimes", observa Bodê. Segundo ele, a maioria dos detentos são presos por cometerem roubos e traficarem pequenas quantidades de droga. "Não se atinge o problema principal, que é o homicídio."

Para Ricardo Rippell, da Unioeste, as desigualdades sociais acabam fomentando um ambiente mais violento. "A altíssima concentração de renda gera desequilíbrios sociais que levam à violência. A instabilidade social tem na segurança, ou na falta dela, sua maior manifestação."

O Índice de Gini, que mede a desigualdade da sociedade, mostra que o Paraná pouco avançou entre 2002 e 2007. No estado, o índice – que varia de 0 (menos desigual) a 1 (mais desigual), caiu apenas 0,13 ponto no período. Dezoito unidades federativas tiveram melhor desempenho. "O Paraná é muito desigual. Nos últimos anos, as regiões ficaram mais distantes ainda", avalia Jandir Ferrera de Lima, da Unioeste Toledo.

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