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Entrevistas com os pré-candidatos

“O projeto do metrô de Curitiba é burro”

Fabio Camargo (PTB), deputado estadual

  • Caroline Olinda
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Embora o PTB esteja dividido entre ter candidatura própria ou apoiar a reeleição do prefeito Luciano Ducci (PSB), o deputado estadual Fabio Camargo garante que será candidato novamente na eleição deste ano. “Não vejo nada que me impeça. Podem existir várias fatalidades, mas terão de ser fatalidades pessoais. Mas dizer que eu não vou ser candidato por causa do partido, não”, afirma categórico.

Camargo ainda garante que manterá a mesma estratégia adotada na eleição de 2008: focar a campanha nos bairros de Curitiba. O metrô de superfície, outro mote da campanha do petebista na última eleição para prefeito, também voltará a ser abordado. Para ele, essa é a solução para o transporte público da cidade, o que resultaria numa melhora no trânsito.

O pré-candidato faz duras críticas ao atual projeto do metrô, que receberá verbas do governo federal. “O projeto é burro. Transporte se amplia, não se troca. Como eles querem tirar o expresso para colocar parques e praças [no lugar das canaletas]? Deve ser um lunático que andou em Paris e que vê aquelas praças bonitas e acha que vai colocar aqui a Champs Elisée”, diz.

O senhor costuma usar o sistema de transporte público de Curi­­­tiba?

Já usei muito. Eu morava no Boa Vista, pegava o Nossa Senhora de Nazaré e descia na Tiradentes. Como eu trabalhava no Tribunal de Justiça, pegava o Interbairros para ir à casa dos meus avós, na Teixeira Coelho. Não uso mais. Mas eu já sofri e posso falar. O sistema já foi referência e continua sendo um dos melhores. Mas acho uma aberração o projeto do metrô.

Por quê?

O projeto é burro. Transporte se amplia, não se troca. Como eles querem tirar o expresso para colocar parques e praças? Deve ser um lunático que andou em Paris. Viu aquelas praças bonitas e acha que vai colocar aqui a Champs Élysées. O transporte tem que se ampliar. Então, está claro: metrô de superfície. Já tem financiamento da Ale­­manhã e mantém o expresso. Com ele, não se gasta tanto, não vai ser necessário perfurar. Este projeto do metrô [da atual gestão], se fizer do jeito que está, não acaba. E se acabar não resolve o problema, porque se estará trocando, não ampliando o transporte. É um projeto burro. Tem de manter o expresso, manter o emprego do motorista e do cobrador.

O senhor costuma caminhar por Curitiba?

Eu caminho bastante. Três vezes por semana eu vou aos bairros, visito de 80 a 100 casas. Caminho muito na região sul. E no bairro nem calçada tem.

O senhor teve esses discursos de prefeito dos bairros na eleição passada. Pretende manter a mesma linha?

Vou manter porque eu acredito neste discurso. A votação não expressou o que foi a minha campanha. Nós temos que entender que a campanha foi polarizada [entre Beto Richa e Gleisi Hof­­fmann]. Eu vinha como uma candidatura muito desconhecida e o horário do partido não foi suficiente para mostrar as condições e as diferenças entre bairro e centro.

O PTB está dividido hoje, e parte da cúpula defende o apoio à reeleição de Luciano Ducci.

Se o partido apoiar o Ducci, eu entro com uma medida judicial e tudo será resolvido porque eu tenho a maioria do diretório. Eu sou osso duro de roer. Na campanha passada, a minha vice foi a Vera Teixeira, do PRTB. O presidente do partido tinha a maioria e fechou comigo. Mas tinha uma turminha que queria fechar com o PSDB. Não tinham maioria, perderam. Ficaram brigando no TRE [Tribunal Regional Eleitoral] por meses, desde a convenção até perto da eleição. E o meu escritório de advocacia de uma forma prática e competente mostrou que o PRTB, em sua maioria, tinha ido com o PTB. É a mesma coisa: se acharem que o PTB vai de uma vez por todas fechar com o Ducci, paguem para ver. Porque a convenção será realizada. Eu devo ganhar. E, se houver uma medida [judicial], eu vou cuidar do assunto como advogado que sou.

Então o senhor será candidato com certeza?

Eu sou candidato. Não vejo força que possa tirar essa minha candidatura. Podem existir várias fatalidades, mas terão de ser fatalidades pessoais. Mas dizer que eu não vou ser candidato por causa do partido, não.

Como o senhor se define?

A minha sinceridade me atrapalha muito. Tive sorte na vida porque eu nasci numa família que me deu boas condições morais e intelectuais. E isso me gerou uma sinceridade que, muitas vezes, acaba atrapalhando a minha caminhada política. Quando eu coloco uma coisa na cabeça, se eu estiver errado, eu pago pelo erro. E já paguei muito. E com certeza ainda vou pagar muito mais. Mas tem que me provar muito que eu estou errado. Caso contrário, eu não mudo. Sou ariano e os arianos têm essa pegada.

Do que o senhor mais gosta na cidade?

Da população.

Do que menos gosta?

Da burocracia administrativa.

Qual o seu lugar favorito em Curitiba?

O Parque Barigui.

E para o senhor, quem é o curitibano?

Meu pai.

E como definir Curitiba?

A cidade modelo.

Do que o senhor sente falta quando está fora de Curitiba?

Da organização.

Existe algo que o senhor viu em outra cidade e que adaptaria a Curitiba?

O metrô de superfície.

O curitibano é fechado ou tímido?

O curitibano é tímido.Mas, depois de uma boa conversa, ele se abre.

Em qual época a cidade é mais bonita?

Na primavera.

Alguma lembrança de infância?

No período em que eu estudei no Lins de Vasconcelos, onde minha veia política surgiu, na cidade-mirim. Lá eu fui vereador, prefeito... A cidade-mirim ainda existe, só que na Opet.

O senhor tem alguma lembrança de uma Curitiba que não exista mais?

Várias lembranças. Por exemplo: antes de morar no Boa Vista, morei na Avenida Iguaçu. Quando eu passo no prédio em que eu morava lá, lembro da época em que a avenida era de duas mãos e eu jogava futebol na calçada. Na Teixeira Coelho, em frente ao Hospital Militar, tem uma praça. Nós fazíamos trave de bambu para jogar. Hoje não teria jeito: é uma via enorme e colocaram umas estruturas fa­­­raô­­nicas na praça.

Qual a sua praça favorita?

Como eu disse, eu joguei muita bola na praça em frente ao Hospital Militar, na Teixeira Coelho. Mas outra praça que eu vi todo dia durante muitos anos foi a Tiradentes.

Alguma feira que frequenta?

Gosto da feirinha do Largo da Ordem, que é a mais tradicional. Mas não tem uma feira que eu frequente.

Existe algum local pouco conhecido de Curitiba que o senhor indicaria a um amigo visitar?

Se for um local para indicar para as pessoas entenderem um pouco mais a realidade, eu indicaria o Tatuquara. Se for um local para as pessoas verem uma Curitiba com qualidade e preparada para o futuro, eu indicaria a continuidade do Santa Quitéria, com ruas largas e um zoneamento futurístico. Mas para que as pessoas dessem até mais valor para o meu trabalho, eu com certeza indicaria o Tatuquara, o Umbará e o próprio Sítio Cercado. Existe um personagem histórico da cidade que o senhor admira?

Jaime Lerner. A gente tem de reverenciar ele como arquiteto, idealista e futurista. Porque o administrador deve estar sempre pensando na frente.

E da atualidade?

Michelle Caputo [secretário estadual da Saúde], porque saúde é prioridade.

Se um gênio da lâmpada concedesse um pedido para o senhor fazer uma única mudança em Curitiba, o que mudaria?

Eu melhoraria a saúde. Com o resto, eu me viro.

Alguma proposta de inovação para a cidade?

O metrô de superfície. O Rafael [Greca] acertou no Farol do Saber porque no momento mal as pessoas tinham condição de comprar um computador, era na base do livro.

Como melhorar o trânsito da cidade?

Se tiver um transporte coletivo de qualidade, já melhora o trânsito.

É possível fazer ciclofaixas em toda a cidade?

Não só é possível, é preciso.

Qual meta social o senhor gostaria de atender?

O que eu, dentro do orçamento, mais canalizaria [verba], seria para crianças com deficiências.

O que mais o irrita no trânsito como motorista?

Sem demagogia? Nada. O trânsito é irritante, mas eu não me irrito com ele. Tem coisas que me irritam mais.Leia amanhã a entrevista com Gustavo Fruet (PDT).

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