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Dirceu (esq.) e Genoino (dir.) de punho cerrado e braço erguido, ao serem presos: gesto da Internacional Socialista | Adriano Lima/Folhapress ; Eduardo Knapp/Folhapress
Dirceu (esq.) e Genoino (dir.) de punho cerrado e braço erguido, ao serem presos: gesto da Internacional Socialista| Foto: Adriano Lima/Folhapress ; Eduardo Knapp/Folhapress

Inimigo nº 1

Presidente do STF vira alvo preferencial do PT, que ameaça processá-lo

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa se tornou adversário político do PT, embora tenha sido indicado ao cargo pelo ex-presidente Lula. O partido ameaça processar o ministro do STF por crime de responsabilidade. A legenda alega que Barbosa feriu a Constituição ao permitir que petistas condenados a regime semiaberto – José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares – começassem a cumprir suas penas em regime fechado.

No regime semiaberto, o presidiário tem direito a sair da cadeia durante o dia para trabalhar. Mas os três petistas, presos na sexta-feira do feriadão da Proclamação da República (15 de Novembro), só foram transferidos para unidade prisional semiaberta na segunda-feira seguinte. Como outros condenados pelo mensalão também passaram pela mesma situação, o PT alega que houve abuso do Judiciário.

Para o professor de Comunicação Social da Universidade Tuiuti (UTP) Álvaro Nunes Larangeira, Joaquim Barbosa pecou ao longo do julgamento do mensalão pelo narcisismo. Segundo Larangeira, é natural que haja o componente político na corte. Mas, diz o professor, Barbosa erra ao usar o julgamento para promover sua própria imagem. "Todo julgamento do STF é político. Isso não quer dizer que um presidente [do Supremo] deva capitalizá-lo para sua ascensão política."

Já o cientista político da PUCPR Mário Sérgio Lepre avalia que, embora tenha cometido excessos em alguns momentos, Barbosa cumpriu de forma correta seu papel durante o julgamento, que foi importante para indicar à sociedade brasileira mudanças na política. "Não houve perseguição. Ele teve uma atitude de indignação e agiu diante da necessidade de dizer que o Brasil não tolera mais esse tipo de atitude", afirma.

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Ao levantarem os punhos cerrados enquanto eram presos, o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino resgataram um antigo gestual da Internacional Socialista – organização mundial que luta pelas causas da esquerda. A ideia de que os petistas estão sendo punidos justamente pela "causa" que defendem, numa espécie de revanche dos setores conservadores da sociedade, está por trás da reação do PT ao resultado do julgamento do mensalão – que se difere substancialmente do comportamento dos demais partidos, que geralmente buscam se desvincular dos envolvidos em escândalos de corrupção.

O cientista político da PUCPR Mário Sérgio Lepre avalia que setores do PT creem na equivocada ideia de que os crimes cometidos por Dirceu, Genoino e outros petistas durante o mensalão seriam justificados exatamente pela "causa" e pelo histórico político de suas lideranças. "É uma visão de que um erro ‘pequeno’ seria justificado pelo bem maior", afirma, se referindo ao projeto do partido para o país.

Segundo Lepre, o discurso de enfrentamento com o Judiciário e a imprensa ajuda a mobilizar a militância ao redor do PT e serve como fator de união. Mas o cientista político avalia que essa atitude é uma "faca de dois gumes": ao mesmo tempo que mobiliza a base, o partido desagrada a outros setores da sociedade ao fazer a defesa pública de condenados. Isso pode ser um fator prejudicial nas eleições do ano que vem, diz Lepre.

O professor de Comu­­ni­­cação Social da Univer­­sidade Tuiuti (UTP) Álvaro Nunes Larangeira, porém, discorda de Lepre. Para ele, o mensalão já causa danos à imagem do PT desde 2005, e mesmo assim o partido conseguiu sair vitorioso em duas eleições presidenciais sucessivas.

Vítima

Larangeira, cuja tese de doutorado aborda as estratégias comunicacionais do PT durante o mensalão, afirma que o gesto dos punhos cerrados e a reação dos petistas após as prisões demonstram que o partido se vê como vítima do Judiciário. "É uma forma de externar essa visão e levar o embate do campo jurídico para o campo político", afirma ele. Não por acaso, o ex-presidente Lula declarou, na quinta-feira, que a reeleição da presidente Dilma Rousseff será a resposta do PT às prisões dos petistas.

O comportamento do PT difere significativamente de outros partidos de políticos envolvidos em escândalos de corrupção. O ex-governador de Brasília José Roberto Arruda, envolvido no mensalão do DEM, foi pressionado pela cúpula da legenda a deixar o partido – e, antes desse escândalo, ele já havia sido forçado a deixar o PSDB por adulterar o painel de votações do Senado. O PSDB também evita falar sobre o mensalão tucano, que envolve o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo – que segue filiado ao partido.

Larangeira explica que, enquanto a maioria das legendas do país tem baixa identificação com seus filiados, o PT é mais consistente, e funciona, de fato, como um partido. Isso faz com que os militantes petistas defendam seus condenados. "Os outros partidos não tem uma identificação ideológica e renegam suas crias em nome do moralismo", afirma.

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