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Pernambucano de nascença, sotaque nordestino, político que fala o que lhe vem à boca, Severino Araújo, acha que tem pouco, ou nada, de parecido com o conterrâneo famoso, Severino Cavalcanti (PP), presidente da Câmara dos Deputados. Presidente do diretório local do PSB desde que foi organizado no estado, em 1997, ficou conhecido no Paraná ao ser candidato ao governo do Paraná, em 2002. Mas ao contrário de seu conterrâneo, não tem pretensões eleitorais e confessa que saiu candidato por uma decisão partidária.

Araújo tem 66 anos, nascido em Limoeiro, sertão de Pernambuco. No início dos anos 60 era militante do Partido Comunista e veio para o Paraná, em 1964, fugido da ditadura para viver em Uraí, Norte do estado. Lá ocupou seu único cargo político. Foi vereador de 1976 a 1978. "Não tenho vontade de ter cargo eletivo. Sou pé no chão. Fui candidato por uma decisão partidária", diz.

Limoeiro é próximo de João Alfredo, cidade de Severino Cavalcanti. Mas a trajetória política dos dois é oposta. Cavalcanti participava de grupos de direita, ligados ao setor agrário. Já o líder político de Araújo era outro pernambucano. O socialista Miguel Arraes, morto no início do mês, com quem tinha uma relação política desde 1958. "Fui para Pernambuco quando Arraes estava hospitalizado. Voltei para o enterro dele, não podia deixar de ir", disse.

Na semana passada, com a saída de um grupo dissidente ligado ao diretório curitibano, Araújo disparou. "Não farão falta nenhuma. Eles não eram do PSB, estavam no PSB". Na campanha para governador marcou presença com suas críticas irônicas.

Chamava os candidatos principais da disputa, Roberto Requião e Alvaro Dias, de Raivoso e Vaidoso. Dizia com todas as palavras que as propostas dos dois eram mentirosas. Em um dos debates transmitido pela televisão declarou que era candidato por imposição partidária, já que o partido precisava abrir espaço para o candidato a presidente Anthony Garotinho nos programas eleitorais. "Não sou hipócrita. Não sei fazer de conta. Falo o que penso", diz.

De dois anos para cá, virou fã confesso de outro líder político: o ex-governador Jaime Lerner, filiado ao PSB desde 2003. Até segunda decisão, Lerner deve continuar com domicílio eleitoral no Rio de Janeiro. Mas se mudar de idéia, terá em Severino seu principal cabo-eleitoral. "Qualquer decisão do PSB para o ano que vem deve contar com a opinião de Jaime Lerner. Se ele quiser, será o candidato do partido ao governo. Ou a dona Fany (Lerner), que faz parte do novo diretório estadual", diz.

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