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Antonio Palocci fez exames no IML de Curitiba nesta segunda-feira (26). | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Antonio Palocci fez exames no IML de Curitiba nesta segunda-feira (26).| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Preso nesta segunda-feira (26) na 35ª fase da Operação Lava Jato, o ex-ministro Antonio Palocci pode ter sido o investigado que coordenou a maior quantia de valores já descoberta na operação.

Segundo os investigadores, pelo menos R$ 128 milhões foram repassados a título de propina da empresa Odebrecht para o Partido dos Trabalhadores (PT) através de Palocci entre 2006 e 2013. O pagamento de outros R$ 70 milhões ainda é apurado pela força-tarefa.

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“[Temos] registrados diversos pagamentos em favor do senhor Antonio Palocci no valor de R$ 128 milhões documentados como entregues e mais um saldo de R$ 70 milhões que ainda precisa ser apurado se foi entregue posteriormente a essa data ou não”, disse a procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Laura Gonçalves Tessler.

Segundo o delegado da Polícia Federal, Filipi Pace, a força-tarefa tem “razoável certeza” de que os valores continuaram a ser pagos. Para o delegado, o que mais chama a atenção nessa fase das investigações são os valores pagos em propina.

“Grande parte dos valores foram pagos em espécie. Então são cifras que alcançam milhões e milhões. Se pegar os valores relacionados na planilha [da Odebrecht] que a gente encontrou, mais de 50% de R$ 120 milhões teriam sido pagos em espécie. Digamos que a gente se acostumou, e não deveria, com a prática dos crimes que a gente está encontrando, mas os valores e a frequência assusta os investigadores”, disse o delegado.

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Cadeia de comando

Segundo os investigadores, Palocci teria ocupado o lugar do ex-ministro José Dirceu na intermediação entre empresas pagadoras de propina e o Governo Federal. Em agosto de 2015, quando Dirceu foi preso na deflagração da Operação Pixuleco, o MPF afirmou que o ex-ministro era o “mentor do esquema dentro da Petrobras”.

Agora, a PF acredita que Dirceu não era uma figura central no esquema. “Em virtude sobretudo do mensalão houve a necessidade do ministro José Dirceu se afastar desse papel ilícito de representar o grupo político para recolhimento de valores. Acho que é correta a afirmação de que Antonio Palocci Filho a partir de 2008 era superior em escala hierárquica a José Dirceu”, disse Pace.

Depois de deixar o ministério da Fazenda, Palocci foi sucedido por Guido Mantega – alvo da 34ª fase da Lava Jato, deflagrada na quinta-feira (22). Segundo os investigadores, há indícios de que Mantega tenha sucedido Palocci também na relação com a Odebrecht.

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“Nós fizemos alguns cruzamentos de dados, sobretudo de anotações de Marcelo [Odebrecht] em seu celular com o saldo da planilha e foi possível observar que havia coincidência de valores do saldo que fazia referência a ‘pós Itália’ com anotações do celular de Marcelo”, explicou o delegado da PF.

“Temos alguns elementos que indicam que a rubrica e o codinome ‘pós Itália’ fazia sim referência a Guido Mantega, que por sua vez, até pela deflagração da fase da semana passada, mostra que ele tinha esse papel de intermediação de pagamentos de propina por parte das empresas que desejavam contratos com empresas da administração federal”, completou Pace.

Italiano

Segundo os investigadores, Itália era o codinome usado pelos investigados na Lava Jato para se referir ao ex-ministro Antonio Palocci. “Foi uma complexa análise de diversas trocas de e-mails em que a referência a Italiano foi sendo desvendada e analisada de forma concatenada com os fatos, com os encontros e de forma que, após essa extensa análise feita pela PF, foi possível identificar o codinome Italiano a pessoa de Antonio Palocci”, explicou a procuradora do MPF.

Além de Palocci, outros dois investigados tiveram a prisão temporária decretada pelo juiz Sergio Moro. Branislav Kontic e Jucelino Antônio Dourado também serão trazidos para Curitiba, para serem ouvidos nos próximos dias.

“No caso de Branislav Kontic, era a pessoa que intermediava o contato com os executivos. Ele recebia os e-mails, os contatos, as mensagens, os pedidos de reunião e posteriormente repassava ao senhor Antônio Palocci e também fazia o caminho inverso”, explicou Laura.

“O senhor Jucelino Dourado auxiliou também o senhor Antonio Palocci neste esquema. Há inclusive o registro das iniciais do senhor Jucelino no recebimento dos valores nessa planilha e valores de R$ 48 milhões pelo menos”, disse Laura.

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