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Mensalão do DEM

Paulo Octávio diz que fica no governo por sugestão de Lula

Segundo o governador interino do DF, o presidente teria o aconselhado a permanecer no cargo. O Planalto emitiu nota negando a informação

Confira como funciona o processo de impeachment |
Confira como funciona o processo de impeachment (Foto: )
Paulo Octávio admitiu que já tem uma carta de renúncia pronta |

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Paulo Octávio admitiu que já tem uma carta de renúncia pronta

Brasília - O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), anunciou ontem à tarde que vai permanecer no cargo. Paulo Octávio, assim como secretários de Estado e deputados distritais, é citado no inquérito da Operação Caixa de Pandora como beneficiário de um esquema de cor­­­rupção que seria comandado pelo governador licenciado José Roberto Arruda (sem partido), o chamado Mensalão do DEM.

Durante pronunciamento, Pau­­­lo Octávio admitiu que já tem uma carta de renúncia pronta, e que o documento foi entregue à líder do governo na Câmara, Eliana Pedrosa (DEM). Paulo Oc­­távio disse ainda que atendeu a vários apelos ao desistir de apresentar sua renúncia, citando inclusive o presidente Lula.

Segundo o democrata, durante encontro realizado na manhã de ontem, Lula o aconselhou a aguardar mais alguns dias e teria dito que irá continuar ajudando Brasília. Paulo Octávio afirmou ainda que Lula teria se mostrado muito preocupado com a possibilidade de intervenção federal no Distrito Federal.

O Palácio do Planalto negou no final da tarde de ontem que o presidente Lula tenha recomendado ao governador interino permanecer no cargo. "Ele (Lula) não fez nenhum pedido específico ao governador", disse o ministro da Secretaria de Relações Institucio­­­nais, Alexandre Padilha. De acordo com o ministro, no encontro entre os dois, Lula deixou claro que não emitiria nenhuma opinião sobre o caso, porque é assunto do Poder Judiciário.

Lula só recebeu o governador, segundo os auxiliares, depois de muita insistência. Ainda assim, o presidente não permitiu imagens da audiência, para evitar o uso po­­lítico do encontro. Logo depois, ao ler uma carta de Paulo Octávio "agradecendo" o apoio pessoal dele e do governo, o presidente mandou distribuir nota informando que o encontro não significou apoio político e manterá uma postura "estritamente" institucional com o governador.

Sem ambição

Paulo Octávio classificou o mo­­­mento vivido no Distrito Federal como "a mais grave crise política dos 50 anos de Brasília" e disse não ter nenhuma ambição a não ser restaurar a governabilidade no DF. Paulo Octávio disse ainda que irá concentrar seus esforços para evitar a intervenção federal.

A oposição criticou a decisão de Paulo Octávio. O deputado distrital Paulo Tadeu, líder do PT, propõe que, em resposta, a Câmara Legislativa dê celeridade aos processos de impeachment de Paulo Octávio.

"Ele não tem condições de governar, não consegue nem decidir se fica ou não no cargo. Defendo que a Câmara dê prosseguimento ainda hoje aos processos de impeachment dele, já que temos um parecer favorável da Procuradoria", afirmou Érika Kokay, do PT.

Parecer da Procuradoria da Câmara Legislativa entregue ontem à Mesa Diretora é favorável a três pedidos de impeachment do governador em exercício do Distrito Federal.

Expulsão

Em nota, o deputado baiano ACM Neto, vice-presidente nacional do DEM ameaçou Paulo Octávio de expulsão da legenda, caso não re­­­nuncie ao cargo. "O partido não pode mais ter qualquer vínculo com o governo do DF. Quem não renunciar a seus cargos vai ser expulso da legenda. Já pagamos um preço muito alto por tudo o que aconteceu, não podemos continuar vinculados a esse governo."

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