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Pimentel está no alvo da segunda fase da Operação Acrônimo. | Manoel Marques/Imprensa-MG
Pimentel está no alvo da segunda fase da Operação Acrônimo.| Foto: Manoel Marques/Imprensa-MG

A Polícia Federal (PF) suspeita que o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), recebeu “vantagens indevidas” do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, ligado ao PT, e de empresas que obtiveram empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição financeira é subordinada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que o petista comandou entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2014.

Pimentel diz que ação foi uma ‘arbitrariedade’

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O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), criticou a ação da Polícia Federal. “Não bastasse a arbitrariedade cometida dias antes contra mim e a minha mulher, com a invasão de seu apartamento em Brasília, utilizando mandado expedido a partir de premissas falsas, querem agora externar esse abuso, esse arbítrio, ao território de Minas, ao sagrado território dos Inconfidentes, à sede do governo de Minas, eleito democraticamente por mais de 5 milhões de mineiros e mineiras”, disse o petista. Segundo o Palácio Tiradentes, a ação dos agentes federais foi baseada em “ilações e deduções fantasiosas” e “eivada de irregularidades”.

Nos documentos em que pedem autorização judicial para a segunda fase da Operação Acrônimo, desencadeada nesta quinta-feira (25), os investigadores argumentam que as provas colhidas até agora sinalizam a participação de Pimentel e da primeira-dama de Minas, Carolina Oliveira, em atos que “podem configurar corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro”. O casal nega irregularidades e diz ser alvo de uma “investigação arbitrária”.

A PF também apurou indícios de que recursos obtidos de forma ilícita foram realocados para a produção de material gráfico para a campanha do petista em 2014. Os serviços prestados pela Gráfica Brasil, empresa que pertence à família de Bené, não teriam sido declarados.

A maioria das informações que subsidiaram as ações desta quinta-feira foi obtida pela PF em documentos e arquivos apreendidos na primeira fase da operação, em maio, quando a PF fez buscas em empresas de Bené e num apartamento de Carolina Oliveira em Brasília.

Os policiais detectaram que a Oli Comunicação, empresa da primeira-dama, recebia recursos da agência Pepper Comunicação e da Diálogo Ideias, que funcionam no mesmo endereço. A Pepper é contratada do PT e também teria prestado serviços ao BNDES.

Para a PF, há indícios de que Carolina, ex-funcionária do BNDES, seria sócia oculta da agência. “Carolina Oliveira poderia ser sócia de fato desta última empresa, condição esta que deveria ser escamoteada em relação do recebimento de valores pela Pepper do BNDES”, diz trecho de decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Herman Benjamin, no qual autoriza as buscas desta quinta-feira.

No inquérito da Acrônimo, também se apurou que o Grupo Marfrig teria pago R$ 525 mil para Carolina e o Grupo Casino, que controla a rede de supermercados Pão de Açúcar, mais R$ 362 mil entre novembro de 2011 e julho de 2012. Ambos, segundo a PF, têm relações comerciais com o BNDES. Os pagamentos, sustentam os investigadores, podem ter sido propina para que o então ministro influenciasse decisões do banco.

Outro lado

A Pepper alega que “deu acesso aos documentos requeridos e continuará à disposição das autoridades para prestar todas as informações necessárias”. O Grupo Marfrig negou ter feito “qualquer pagamento” para a Oli. O grupo Casino informou que “não efetuou pagamentos nem para a Oli nem para a Carolina”.

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