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José Carlos Bumlai foi preso em novembro de 2015 na 21ª fase da Operação Lava Jato. | Valter Campanato/Agência Brasil
José Carlos Bumlai foi preso em novembro de 2015 na 21ª fase da Operação Lava Jato.| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A força-tarefa da Lava Jato na Polícia Federal volta a ficar completa na próxima segunda-feira (1º), quando todos os integrantes já terão retornado das férias e retomam as investigações. Um dos focos que deve concentrar esforços dos investigadores nos próximos meses é o envolvimento do pecuarista e amigo do ex-presidente Lula José Carlos Bumlai, preso em novembro na 21ª fase da operação.

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De acordo com o delegado Igor Romário de Paula, que atua na força-tarefa em Curitiba, ainda há muitas coisas para serem avaliadas a partir da colaboração premiada feita pelos donos da Schahin, que levou a prisão de Bumlai. “A gente não tem ainda a exata noção da extensão de influência do Bumlai dentro das instituições”, conta Igor de Paula. “Se ele teve esse poder de influência nos negócios de uma construtora como a Schahin, ele pode ter atuado em outras áreas. Isso está sendo destrinchado aos poucos”, explica o delegado.

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Para avançar nas investigações, a PF aguarda a cooperação de outros países em relação a movimentação bancária do pecuarista.

De acordo com as investigações, a contratação da empresa Schahin para o aluguel da Sonda Victoria 10000 pela Petrobras foi uma forma de pagar um empréstimos de cerca de R$ 12 milhões tomado por Bumlai em 2004 do Banco Schahin. O empréstimo, segundo os investigadores, nunca foi pago e teve a influência direta de ex-tesoureiros do PT e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Uma operação fictícia de dação de “embriões de gado de elite” para agropecuárias do Grupo Schahin foi a forma de simular a quitação formal do empréstimo. O dinheiro teria abastecido os cofres do PT e de campanhas do partido, entre elas a reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, suspeita a força-tarefa da Operação Lava Jato .

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Opinião pública

Para o delegado da PF, é natural que parte da população faça uma certa pressão para que Lula seja responsabilizado pelo escândalo que envolve a Petrobras. “Acho que é natural esse tipo de crítica porque muitas das coisas que estão sendo apuradas começaram ou se desenvolveram na época do governo do ex-presidente, mas isso não quer dizer que isso tudo começou em 2002 e que isso não aconteça em outros locais onde os governos estaduais, por exemplo, são da oposição ao governo federal”, pondera Igor de Paula.

O embate político pelo qual passa o país, na opinião de Igor de Paula, pode estar criando em Lula um símbolo. “O ex-presidente é um símbolo da situação hoje e todo mundo fala que ele não pode alegar de novo que não sabia de nada, mas a gente trabalha com provas, tem que tentar se manter fora dessa discussão também para o discurso político não comprometer”, diz o delegado.

Para ele, é preciso tomar cuidado para não atropelar as investigações fazendo o uso indiscriminado de medidas como buscas e prisões. “Se em determinado momento a gente começar a fazer isso e elas [medidas] não tiverem sustentação a operação cai em descrédito”, justifica o delegado.

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