Raupp: “O tempo da reforma ministerial é dela [Dilma]” | Lia de Paula/ Agência Senado
Raupp: “O tempo da reforma ministerial é dela [Dilma]”| Foto: Lia de Paula/ Agência Senado

Depois de ouvir da presidente Dilma Rousseff a informação de que qualquer decisão sobre a reforma ministerial só será tomada no fim deste mês ou início de fevereiro, o PMDB decidiu dar uma trégua ao Planalto nas cobranças por mais espaço na Esplanada dos Ministérios. Mas o partido decidiu aumentar a pressão para que o PT apoie o partido nas candidaturas aos governos do Rio de Janeiro, Ceará e Mato Grosso do Sul, retirando os nomes petistas já apresentados.

Na reunião de quarta-feira, à noite, no Palácio do Jaburu – residência oficial do vice-presidente Michel Temer –, líderes do PMDB concluíram que Dilma de fato considera a legenda um parceiro preferencial para o projeto da reeleição. Afinal, em menos de 48 horas ela dedicou cinco horas de seu tempo para ouvir dirigentes peemedebistas – duas horas e meia na segunda-feira e duas horas e meia na quarta-feira, quando disse a Temer e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), que ainda não decidiu nada e deu novas esperanças ao partido de aumentar sua cota de ministérios.

O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse ontem que o clima no partido melhorou em relação ao governo. "Não vamos pressionar a presidente Dilma", afirmou Raupp. "O tempo da reforma ministerial é dela."

No encontro que teve com Temer e Renan, Dilma falou da importância do PMDB para o projeto da reeleição. Disse que não podia abrir mão da ajuda do partido. Satisfeito, o PMDB decidiu que ajudará o PT a manter o seu projeto nacional.

Contrapartida

Mas exigirá a contrapartida para eleger o máximo possível de governadores e aumentar a bancada de deputados. Hoje, tem 76 parlamentares federais – 12 a menos que o PT, que tem a maior bancada na Câmara. Para o partido, só é possível dividir o poder com os petistas se a legenda dispuser de força suficiente na Câmara e no Senado, na base de sustentação no Congresso, e nos governos estaduais.

Por isso mesmo, de acordo com informações de peemedebistas que participaram da reunião no Jaburu, a conversa envolvendo a questão ministerial durou menos de 15 minutos. O restante do tempo foi tomado por relatos de líderes do PMDB do Rio de Janeiro, Ceará e Paraná sobre as relações ruins com o PT nesses estados. Valdir Raupp falou das relações difíceis com os petistas em estados como Mato Grosso do Sul, Paraíba e Piauí.

Embora o PMDB tenha baixado o tom, nos bastidores, dirigentes do partido afirmam que pretendem conversar com o ex-presidente Lula sobre alianças. "A questão é política e o articulador político desse processo para a montagem dos palanques regionais é Lula", afirmou o senador Eunício Oliveira, pré-candidato do PMDB ao governo do Ceará, onde não há acordo com o PT.

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