Prefeitura de Curitiba e servidores municipais estão longe de entrar em um acordo sobre a discussão salarial dos cerca de 34 mil servidores municipais. Enquanto o funcionalismo aguardava ganhos significativos em alguns casos, superior a 100%, a proposta da administração pública foi de incorporar R$ 100 em todos os cargos no vencimento básico a partir de maio de 2013, abatendo do valor pago como gratificação, que diminuiria de R$ 250 para R$ 150.
Conforme a secretária municipal de Recursos Humanos, Maria do Carmo Oliveira, a mudança é vantajosa por incidir em benefícios, como o adicional por tempo de serviço e a aposentadoria. "É algo que estava sendo discutido desde outubro. É super valioso para o servidor pelas vantagens oferecidas", diz. Porém, os servidores consideraram a proposta abaixo das expectativas. "A prefeitura empurra a categoria para a greve", critica a diretora de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), Alessandra Oliveira.
"Qual o impacto da incorporação? Temos estudos do Dieese [Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos] de que o ganho poderia ser de 30%, além da incorporação", diz Alessandra. A prefeitura informou apenas que a mudança de valores está dentro da previsão orçamentária.
Na noite de ontem, os servidores rejeitaram a proposta da prefeitura e aprovaram em assembleia um indicativo de greve para 5 de março. Na terça-feira, o sindicato levará a administração municipal a decisão e pedirá uma contraproposta, a qual será discutiva no dia 29. Caso a nova proposta não seja aceita, os servidores municipais prometem entrar em greve geral.
Eleições
O prazo limite para os reajustes dos servidores vence em 1.º de abril, em razão das eleições municipais. Mas nem o prazo apertado parece favorecer os servidores. "A discussão da data-base acontece em março, com a incidência do reajuste em abril. Tenho absoluta certeza de que as negociações não vão ultrapassar esse período", afirma Maria do Carmo.
Para Alessandra, a falta de negociação pesa contra o prefeito Luciano Ducci (PSB). "Somos formadores de opinião pública, porque nós atendemos os cidadãos na ponta, e o índice de rejeição é muito alto com os servidores", ameaça.
Na avaliação do cientista político Ricardo Costa de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o prefeito já considera o funcionalismo perdido para a campanha política. "A insatisfação do servidor é grande. Haverá pressão, mas Ducci deve priorizar a parte política, como tocar obras de pavimentação, em vez de corrigir distorções salariais", diz. "O reajuste não compensaria o prejuízo causado ao longo dos últimos anos".







