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CARNE FRACA

Presos comandaram representação do Ministério da Agricultura no Paraná por mais de uma década

Sempre com o apoio de padrinhos políticos, Daniel Gonçalves Filho e Gil Bueno Magalhães permaneceram em postos de comando mesmo com denúncias de irregularidades

  • Brasília
  • Catarina Scortecci, correspondente
  • Atualizado em às
Suspeitos  presos na Operação Carne Fraca deixam o IML em Curitiba: chefes do Ministério da Agricultura  no | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Suspeitos presos na Operação Carne Fraca deixam o IML em Curitiba: chefes do Ministério da Agricultura no Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
 
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Presos desde sexta-feira (17) no âmbito da Operação Carne Fraca, Daniel Gonçalves Filho e Gil Bueno de Magalhães permaneceram no comando da representação paranaense do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) por mais de uma década, e sempre com o apoio de “padrinhos” da política. O primeiro era indicação da bancada do PMDB do Paraná; o segundo foi nomeado com a tutela dos parlamentares paranaenses filiados ao PP.

Daniel Gonçalves Filho, apontado pela Polícia Federal como “chefe da organização criminosa” desmantelada pela ação de sexta-feira, foi nomeado para o posto máximo da Superintendência do Mapa no Paraná em julho de 2007, permanecendo até fevereiro de 2014. Quase um ano e meio depois, voltou para a mesma função. Desta vez, ficou até abril de 2016, só exonerado por força de um processo administrativo disciplinar aberto contra ele, e a despeito de reclamações de peemedebistas, que defenderam a permanência dele no cargo.

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Em seu lugar, assumiu, de forma interina, Guilherme Biron Burgardt. Mas, segundo a PF, Daniel continuou mandando da superintendência do Paraná. “Mesmo suspenso de suas funções, deu ordens ao então superintendente interino, inclusive pedindo favores em nome de parlamentares”, escreveu a PF em documento que enviou à Justiça Federal.

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Em julho do ano passado, o interino deu espaço para um novo titular. Assume o servidor de carreira Gil Bueno de Magalhães, considerado o “número dois” do Mapa no Paraná, em função da proximidade com Daniel. A indicação, chancelada pelos parlamentares do PP do Paraná, foi alvo de protestos veementes. Gil era um nome conhecido entre os funcionários do Mapa: já tinha ocupado a mesma função entre os anos de 2014 e 2015, também entre 2001 e 2003, e estava sendo processado pelo crime de corrupção passiva.

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Em março de 2016, Gil foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) em Paranaguá, acusado de receber propina para beneficiar duas empresas que eram alvos de fiscalização do Mapa, em um esquema semelhante ao revelado pela Operação Carne Fraca. Em maio do ano passado, anotou a PF, autoridades ainda encontraram com Gil um grande isopor com 10 kg de picanha argentina. Ele estava no carro oficial do Mapa, voltando de Foz do Iguaçu.

Quando voltou para o principal posto do Mapa no Paraná, em julho de 2016, um dos seus primeiros atos foi confirmar a saída do servidor Daniel Teixeira da fiscalização da empresa PECCIN. Segundo a PF, a “transferência” ocorreu a pedido de um dos sócios da PECCIN, já que Teixeira estaria descobrindo irregularidades na empresa. Teixeira levou o caso à PF. Outros elementos levantados pelo fiscal ajudaram no trabalho que resultou na Operação Carne Fraca.

Sindicato encaminhou oficio ao MPF para criticar nomeação de Gil Bueno

Indignado com a nomeação de Gil, o Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) chegou a encaminhar um ofício ao MPF, já em agosto, pedindo alguma providência. No último dia 1.º, pouco antes, portanto, da deflagração da Operação Carne Fraca, o mesmo sindicato se manifestava publicamente em repúdio às indicações políticas para cargos como o de superintendente do Mapa no Paraná.

“Estamos cansados de ver casos vergonhosos que ocorrem nas superintendências federais. Muitos estão no cargo para atender a interesses de grandes empresas do setor agropecuário”, disse o presidente do Anffa Sindical, Maurício Porto. Na ocasião, ele destacava as operações “Semilla”, em 2015, no Rio Grande do Sul, e a “Abate”, em 2008, em Rondônia, que também apontaram o envolvimento de superintendentes em esquema de propina.

Na investigação da PF revelada pela Operação Carne Fraca, há indícios de corrupção que remontam ao ano de 2009. E as suspeitas, desta vez, recaem nas superintendências do Paraná, de Goiás e de Minas Gerais.

As reclamações do Anffa Sindical também não são de hoje. Com base em informações do sindicato, o deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR) chegou a apresentar em 2012 um requerimento no qual cobrava explicações do Mapa “sobre possível situação calamitosa por que passam os servidores da Superintendência do Paraná em face dos desmandos de Daniel Gonçalves Filho e seus subordinados imediatos”.

No ofício do parlamentar, ele relata o que seria um histórico de problemas detectados desde 2007, quando Daniel assumiu o comando, de “desestruturação de equipes técnicas altamente qualificadas” até “interferência exacerbada nas ações fiscais, sempre feita de forma a inibir e constranger os servidores no exercício legal de suas funções” e “utilização do aparelho público na promoção pessoal e política no intuito de garantir apoios e perpetuações no poder”.

OUTRO LADO

A PF pediu a prisão preventiva de Daniel Gonçalves Filho e também de Gil Bueno de Magalhães. Ambos estariam na carceragem da PF em Curitiba desde sexta-feira (17), mas, até agora, ainda não há um balanço oficial do resultado da Operação Carne Fraca. No Diário Oficial da União de segunda-feira (20), Gil aparece como exonerado do cargo de superintendente do Mapa no Paraná. A reportagem não conseguiu contato dos advogados de defesa dos dois.

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