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Mensalão do DEM

Procuradoria-Geral defende que Arruda continue preso

O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), sofreu dois novos golpes entre a noite de quinta-feira e a tarde de ontem. Anteontem, a Pro­­­curadoria-Geral da Repú­­­blica (PGR) emitiu parecer defendendo a manutenção da prisão preventiva de Arruda. Na sexta-feira, o comando da Superintendên­­cia da Polícia Federal, onde Arruda está preso, resolveu transferir o governador afastado para uma sala menor da que ele estava ocupando desde a semana passada.

No parecer encaminhado na noite de quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF), a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, diz que a prisão de Arruda é necessária para garantir a manutenção da ordem pública e o curso da investigação do suposto esquema de pagamento de propinas envolvendo o governo do Distrito Federal.

A vice-procuradora também rebate, no documento, os argumentos dos advogados de Arruda. Deborah ressalta que o governador não apenas tentou obstruir as investigações acerca do es­­­quema de corrupção no go­­verno local, ao participar da tentativa de suborno de uma das testemunhas do inquérito da Operação Caixa de Pandora, como também usou a máquina pública com este propósito.

"Há base empírica suficiente para se afirmar que o governador agiu para alterar depoimento de testemunha, de modo a favorecê-lo no Inquérito 650, mediante oferta de dinheiro e outras vantagens. A hipótese, aqui, é de comprometimento claro da investigação, situação típica da necessidade da preventiva", diz o parecer da PGR.

O documento foi encomendado pelo ministro Mar­­co Aurélio Mello, do STF, e servirá de embasamento para os demais ministros da Corte. Entre terça e quarta-feira, o plenário da Corte deve julgar o mérito do habeas corpus que pede a liberdade do governador, negado em caráter liminar por Mello na sexta-feira antes do feriado de Carnaval.

Transferência

Com a justificativa de "retomar a rotina de trabalho", a Polícia Federal transferiu Arruda da sala onde ele estava preso para outro espaço. Além de menor que a anterior, a nova sala não possui banheiro privativo, nem janelas. O espaço antigo, de 40 metros quadrados, na Diretoria Técnico Científica, também na Superintendência da PF, possuía amplas janelas, uma mesa, uma cama de solteiro, sofá e banheiro privativo, que podia ser usado apenas com a porta aberta.

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