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Judiciário

Propina do caso Banestado seria destinada ao caixa dois de Jaime Lerner

Justiça Federal condenou nesta quarta-feira (17) o doleiro Alberto Youssef por crime de corrupção ativa depois que ele desrespeitou acordo de delação premiada

  • Kelli Kadanus
  • Atualizado em às
Jaime Lerner, ex-governador do Paraná |
Jaime Lerner, ex-governador do Paraná
 
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O doleiro Alberto Yousseffoi condenado nesta quarta-feira (17) a quatro anos e quatro meses de prisão por empréstimos fraudulentos que fez no Banestado, banco estatal do Paraná. Na decisão que condenou o doleiro por corrupção ativa, o juiz Sérgio Moro afirma que parte da propina arrecadada pelo doleiro teria sido usada como “recurso não-contabilizado” - popularmente chamado de caixa 2 - na campanha do ex-governador Jaime Lerner, em 1998.

De acordo com a decisão, o empréstimo de US$ 1,5 milhão feito para a empresa Jabur Toyopar não foi pago, causando prejuízos ao Banco Banestado. “O crime de corrupção, além de figurar como causa do empréstimo, gerou distorções no processo democrático eleitoral, já que a vantagem indevida, de cerca de US$ 130 mil foi desviada como recurso não-contabilizado para a campanha eleitoral, o que eleva a gravidade do crime”, diz Moro em um trecho do despacho. “Os valores teriam como destinatário o então acusado Giovani Gionédis [presidente do Conselho de Administração do Banestado] que os teria recolhido para a campanha eleitoral de 1998 do ex-governador Jaime Lerner”, afirma o juiz na decisão.

De acordo com depoimento de Gabriel Nunes, diretor do Banestado na época das investigações, o presidente do Conselho de Administração do banco, Giovani Gionédis, sugeriu que o empréstimo fosse autorizado. “Me foi sugerido que se viabilizasse, pelo então presidente do Conselho de Administração do Banco, o recurso para essa empresa, que ela colaboraria com a campanha do governador Jaime Lerner, candidato na época”, diz Nunes em um depoimento transcrito na decisão.

Em depoimento feito durante delação premiada, Youssef confirma que o empréstimo foi concedido sob a condição de a empresa colaborar com a campanha de Lerner. “Na época, eu era sócio da Jabur Toyopar, através da June, e também emprestava dinheiro para Jabur Toyopar sempre que ela necessitasse. Na época, a empresa passava por dificuldade, [...] requereu esse empréstimo perante o banco, através de mim. Eu falei com a Diretoria de Operações, que era o Gabriel [...]. Passados uns dias, ele me sinalizou como positivo o empréstimo, mas desde que nós, Jabur Toyopar, colaborássemos com a campanha”, diz o doleiro em depoimento transcrito no despacho do juiz Sérgio Moro.

O ex-presidente do Conselho de Administração do Banestado, Giovani Gionédis, afirmou o processo referente a ele já está encerrado. "Eu fui processado e fui absolvido", disse. "Querem levantar essa matéria e isso não tem cabimento. Não tem uma assinatura minha, nenhum telefonema meu", disse.

A reportagem da Gazeta do Povo tentou entrar em contato com dois dos advogados do doleiro Alberto Youssef, mas nenhum deles foi localizado para comentar o caso. Nessa sexta-feira (19), o ex-governador Jaime Lerner encaminhou nota em que afirma o seguinte: "A arrecadação de recursos foi feita pelo comitê financeiro, dentro da lei e de forma legitima, sendo que todas as contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral, não havendo nenhuma pendencia (sic) em relação a elas. A acusação ora veiculada não foi aceita na justiça na ocasião, sendo o responsável pelo comitê financeiro totalmente absolvido.”

Condenação

Youssef havia sido perdoado nesse processo no acordo de delação premiada que fez com a Justiça Federal em 2004. Mas, como desrespeitou a promessa de não voltar a atuar no mercado paralelo a ação foi reaberta e o doleiro condenado. O processo foi reaberto nesse ano pelo juiz Sergio Moro, depois da prisão de Youssef no caso da Operação Lava Jato, em que a Polícia Federal descobriu que ele havia voltado a lavar dinheiro. "Em síntese, na assim denominada Operação Lava Jato, foram colhidas provas, em cognição sumária, de que o ora acusado dedicar-se-ia habitual e profissionalmente à lavagem de dinheiro e igualmente à corrupção de agentes públicos, entre eles parlamentares federais, estes com processos já desmembrados no Supremo Tribunal Federal", diz um trecho da decisão de Sérgio Moro.

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