A jovem feita refém e morta pelo ex-namorado na farmácia em que trabalhava, Evelyn Ferreira Amorim, de 18 anos, vivia apavorada desde que Gilmar Leandro da Silva Filho, de 23 anos, saiu da cadeia em agosto passado. Ele ficou preso por três meses depois de mantê-la refém por cinco horas no dia 13 de junho. Os dois tinham namorado por cinco anos, desde que ela tinha 13 anos, e o relacionamento havia terminado em maio. Na última segunda-feira, depois de mantê-la refém por cerca de 11 horas, Gilmar a matou e se matou em seguida.
Gilmar saiu da cadeia beneficiado pela Justiça, em agosto passado. A juíza Luciana Viveiros Corrêa dos Santos Seabra, da 2ª Vara Criminal de Praia Grande, não admite falha na Justiça e diz que a garota visitava o ex-namorado na prisão.
- Ela tinha visita íntima com ele na cadeia. Mas não é informação oficial - disse a juíza.
Apesar da afirmação da juíza, Evelyn teria passado a viver apavorada desde que ele deixou a prisão, segundo relato da família.
A tia de Evelyn, Roselane Ferreira Marques, de 33 anos, contou que a sobrinha estava triste e não conseguia dormir direito nos últimos dias, porque o ex-noivo ligava muito para ela. Segundo a tia, ele chegou a persegui-la, fazendo ameaças.
O pai de Evelyn, o pedreiro Marcelo Cláudio Amorim, de 38 anos, descreveu a rotina de medo pela qual passava a jovem.
- Eu tinha que buscá-la todos os dias no ponto de ônibus, depois de ela sair do trabalho (à meia-noite). Às vezes, eu encontrava o Gilmar escondido, perto do ponto - disse o pai.
Foi uma carta assinada por Evelyn que tirou Gilmar da prisão. No documento, a menina retirou a queixa de que teria sido ameaçada pelo ex-noivo com a arma, e acrescentou que terminou o relacionamento sem dar explicações a Gilmar.
Na carta, Evelyn disse que "em nenhum momento ele apontou a arma para mim, só me abraçava e pedia para retomar o namoro. Em momento algum, Gilmar ordenou que eu ficasse trancada no quarto", escreveu a vítima. Com a carta, a Justiça concedeu liberdade provisória ao criminoso.
A jovem pode ter escrito a carta simplesmente por medo, para livrá-lo do processo.
De acordo com o pai de Evellyn, a menina tinha planos de começar a faculdade de Gastronomia no ano que vem e estava tirando a carteira de motorista.
- Era uma garota alegre, esforçada, que cuidava das irmãs (de 11 e 14 anos).
O pai de Evellyn via Gilmar como um "cara legal e normal", apenas "muito ciumento".
Os corpos de Evellyn e Jilmar foram velados no Cemitério Municipal de Praia Grande. Uma sala ficava a 20 metros da outra, e as famílias se cumprimentaram, sem atrito. Gilmar foi enterrado às 15h30. Evelyn, às 16h30m, com a presença de 300 pessoas.
O balconista Almir Antonio Guimarães, que ficou refém com Evellyn Ferreira Amorim, por cinco horas, em uma farmácia de Praia Grande, temia pelas atitudes do rapaz.
Almir acompanhou o desfecho da tragédia pela televisão, mas já pressentia que o pior estava para acontecer.
- Ele estava disposto mesmo a tirar a vida dela e dele.
O balconista conviveu com Evellyn no trabalho por um ano. Naquela noite, os dois se preparavam para fechar a farmácia quando teve início o sequestro. Almir ficou cinco horas refém ao lado da moça, antes de ser libertado.







